Os pais, o sustento e a distância emocional
22 10 2009Na sexta-feira, em conversa com uma amiga reflectiamos sobre a relação dos pais com os filhos e da dificuldade daqueles em assumirem uma responsabilidade plena pelo papel que tem que realizar.
Como sabemos, na nossa sociedade, os pais são muito encarados como o “ganha pão”, como o sustento dos filhos. Como é que isto pode influenciar negativamente as relações pais-filhos, entendo eu: a questão do sustento é uma questão difícil de lidar para a maior parte das pessoas, não tanto no dia-a-dia, que o sustento se vai fazendo, mas quando em confronto com o futuro. O cenário é de mudança tal, que ninguém sabe muito bem esperar do que vem aí.
A insegurança gerada por esta relação com o futuro e as imagem mentais que a alimentam fazem com que cada pessoa se desencontre mais consigo mesmo: “não faço o que quero porque não tenho dinheiro” é uma das razões mais invocadas. Desta forma, cada um, vai passando a vida “uma casa ao seu lado” como na canção de A Deolinda.
O desencontro consigo e o desencontro com os filhos.
O psicólogo norte-americano Carl Rogers afirma que há duas forças principais na espécie humana: o potencial de crescimento e a avaliação das experiências. Um diálogo funcionante entre os dois dá lugar a um ser humano actual e actualizante. Isto trocado por miúdos, o que é que dá?
Há já uma tendência das pessoas de se negarem a si próprios em função do sustento. Por exemplo: quero ser carpinteiro, mas vou para médico porque me dá o estilo de vida que quero. Esta auto-negação gera tensões internas que não permitem às pessoas funcionarem completamente. Cada um de nós já se sente mal com muitas das decisões que toma em direcção a essa segurança do sustento ou do estilo de vida.
Quando se é Pai, surge ainda mais essa sensação de sacrifício, de auto-anulação: “ai, eu agora não quero saber de mim, só quero saber dos meus filhos”. A energia negativa que se forma por não nos “ouvirmos” a nós próprios e às nossas necessidades origina muita tristeza, aborrecimentos e irritações. E quem são os culpados? Os filhos, é claro. E porquê? Porque os Pais fazem tudo por eles e eles nunca se comportam da maneira adequada. Não é?
O erro crasso: não cuidar bem de si mesmo.
É impossível que os outros à nossa volta estejam bem se nós não estivermos bem. São os nossos filhos que devem estar atentos às nossa necessidades práticas, psicológicas e emocionais. Talvez também devam, mas uma coisa é certa: quem tem que estar atento às suas necessidades é você mesm@. Cuide bem de si e automaticamente os seus filhos estarão melhor.
Para se ser bom pai e mãe, primeiro é preciso ser boa pessoa.
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