Turismo de experiência

7 11 2009

Ontem numa aula de psicologia de desenvolvimento, propus aos alunos pensarmos em grupo sobre a seguinte questão “como vêem Portugal daqui a 20 anos?”. A maior parte dos relatos foram negativos, desde a desestruturação das instituições como a Justiça, a Educação e a Saúde, o quadro pintado foi algumas vezes negro. Uma boa parte destas pessoas estão desapontadas e têm dificuldade em ver um futuro brilhante para Portugal.

Posso dizer-vos que estou verdadeiramente optimista em relação ao nosso País. Por estar optimista, conheço cada vez mais pessoas optimistas e juntos damo-nos força para continuar.

A visão que tenho para Portugal daqui a 20 anos (altura em que algumas das crianças com quem trabalho estarão entre os 26 e os 34) é de um Portugal em visível emancipação:

-       A educação terá levado finalmente uma reviravolta há tanto tempo necessária e já não será feita em instituições ou estas estarão completamente transformadas. As nossas crianças serão educadas para um turismo de luxo e de experiência. Muita desta educação será feita na casa dos educadores e não nas escolas.

-       Cada casa será um potencial de acção turística: mais um quarto ou dois servirão para albergar visitantes ao nosso País

Os nossos emigrantes irão ter  um papel importantíssimo nisto tudo. Se os nossos emigrantes voltarem para as nossas freguesias, aldeias e cidades, teremos um tradutor em cada canto e a comunicação será facilitada. E onde é que estão os nossos emigrantes? Estão nos 4 cantos do mundo. Em cada emigrante há uma pessoa a pensar como há-de voltar à sua terra. Se não pensam nisto, dão voltas na cabeça às razões que os impedem de voltar. Pois posso dizer-vos: há lugar para toda a gente. Em Agosto, quando voltam os emigrantes é uma festa. Já repararam bem na Alegria de um emigrante por cá voltar?

O Turismo de Experiência

Este tipo de turismo começa já a surgir em força e Portugal vai aproveita-lo em força também. Num outro post falo da pesca como turismo de experiência, a agricultura também está a dar cartas nesta área, principalmente no Brasil.

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O turismo de experiência é um mar infinito de possibilidades. Aqui ficam algumas que me lembro disponíveis para os visitantes experienciarem em Portugal:

-       Desporto – principalmente o futebol, está claro, mas também todas as outras modalidades em que a pessoa poderia juntar-se a outras que já a estariam a praticar.

-       Pesca e Agricultura que já referi.

-       Cantares e dançares tradicionais e não só. Tudo o que seja cantar, dançar e exprimir-se artisticamente assim, como é exemplo o andanças e outros festivais organizados pelos pés-de-xumbo e não só.

-       Culinária – organização de oficinas de culinária

-       Saúde -  já se começa a organizar, mas ainda não está muito cimentado. Por exemplo, pessoas que vêm da Suíça para tratar os dentes e têm hotel incluído. Isto poder-se-ia aplicar a outras coisasNão me vou alongar mais, creio que já perceberam a ideia.

E entre vocês, que ideias têm surgido para gerar emprego em Portugal através do turismo de experiência?



Gestão do dinheiro e gestão da educação – estratégias disfuncionais.

22 10 2009

O endividamento das famílias portuguesas é algo de extremamente preocupante. É apenas o segundo mais elevado da Europa.
A ansiedade gerada em volta o consumo e a incapacidade de decisão a longo prazo por parte das das famílias faz com que estas se deixem levar por compras e gastos completamente desadequados das suas possibilidades em sintonia com a expressão “como se não houvesse amanhã”. Este comportamento faria antecipar, talvez, que as famílias portuguesas, estando menos preocupadas com o futuro, viveriam de forma mais plena, disfrutando um pouco mais do momento presente. Nada mais equívocado.
Consumo e condicionamento
Todo o consumo (pelo menos na forma contemporânea de consumir) assenta no condicionamento da mente. Em palavras simples, o que a publicidade nos passa é o seguinte: se consumires isto, vais ter o resultado que queres, que é aquilo. Este modelo económico integra à partida duas falácias: a primeira é de que efectivamente a necessidade expressa vai ser saciada pelo consumo deste ou daquele produto; a segunda é a de que vai ficar tudo bem, quando na verdade sabemos que mais e mais necessidades continuarão a ser geradas para dar movimento ao consumo.
Por isto afirmo que quando alguém consome algo que realisticamente (do ponto de vista de sobrevivência e segurança não necessitaria) tem associado um sentimento de que vai ficar, de alguma forma, melhor com aquele consumo. Daí que não esteja a disfrutar do presente, aproveitando o bem recentemente adquirido, mas a antecipar os benefícios “comprei este carro, agora é que eu vou ser respeitado.
Os créditos e o sacríficio do futuro
Ao fazer créditos de forma a deixar-me ficar completamente limitado nas minhas opções financeiras, estou, como se costuma dizer, a hipotecar o meu futuro. Na verdade, não estou a ser meu amigo e é provável que me venha a rogar pragas futuramente e a minha relação comigo mesmo se venha a deteriorar. Um dos mecanismos de pensamento que permite isto é o “não quero saber” ou o “que se lixe”. É o que se pode chamar de “preguiça mental” e que como podem antecipar, traz problemas futuros ainda mais difíceis de resolver, quando poderiam ter sido cortados pela raíz “não compro, porque isto me vai por em maus lençois”. O essencial do crédito para consumo é que estamos a vender o nosso futuro e não falta quem o queira comprar.
A educação, a televisão e as prioridades trocadas
Agora lembro-me de uma letra dos xutos “Putos que crescem sem se ver, basta pô-los em frente à televisão!”. É isto que toda uma geração está a fazer. A hipoteca do futuro dos filhos. A televisão é a máquina mais poderosa de condicionamento ao consumo que alguma vez se viu. Assistam com os vossos filhos toda uma manhã a ver desenhos animados na televisão e vejam a quantidade de propaganda consumista que vos vai entrar pelos olhos a dentro.
Crianças a ser educadas em frente à educação é futuro hipotecado. Eles vão continuar a pedir-vos para comprarem aquilo que lhes disseram que os vai deixar mais felizes, para se desiludirem e voltarem a iludir-se com outra coisa qualquer. E no futuro que é que eles aprenderam a ser? Apenas robots: trabalhos na escola, aprendizagem mecanizada, condicionamento televisivo e consumo. No futuro o trabalho na escola é substituido por trabalho na fábrica e o ciclo continua. Terão possibilidade de decidir? Sempre, mas sem dúvida diminuida porque estão sem ferramentas para encarar o mundo, tem uma mente condicionada e pouco habituada a pensar por ela própria.
Achegas finais
Um tabuleiro de xadrez custa €10 e tem possibilidades infinitas de ocupação e desenvolvimento. Uma bola é igual, dando-lhes espaço para brincar. Uma flauta permite milhões de melodias, conversar é de borla, dançar também, ouvir música também é quase, a praia é de borla.
O tempo, tenha tempo para os seus filhos, tenha a cabeça livre para os seus filhos. Esteja realmente com eles. Está na hora de quebrar o ciclo. É agora.



Edição de imagens em lojas pequenas de impressão.

22 10 2009

Na sexta-feira estava à espera para imprimir uns cartazes para uma colónia de férias que estou a organizar. Uma senhora queria imprimir uma fotografia que tirou para um espectáculo de crianças do jardim de infância. No entanto a foto estava escura numa parte que era suposto ser branca. Eu ofereci-me para no meu portátil, editar a imagem em photoshop.
Isto deu-me uma ideia. Quem trabalha em design e está a iniciar carreira, pode ir para as lojas pequenas de impressão, ficar a trabalhar numa mesa pequenina que lhe cedam ou aluguem e vai criando clientela que apareça e não saiba editar as imagens. Depois vai rodando pelas lojas e pode até aceitar serviços dos próprios donos das lojas, pagando-lhes comissões.
Quem ajuda a desenvolver esta ideia?



Limpadora de ruas atinje a reforma em 2 anos e meio

22 10 2009

Esta varredora de ruas de S. Simão da Junqueira, em Vila do Conde, pode considerar-se praticamente reformada, neste momento o trabalho que tem é mínimo. A Câmara Municipal da Junqueira, em concertação com a Junta de Freguesia da Junqueira, propuseram um modelo que pode revolucionar o mundo ocidental.
O que aconteceu de diferente então?
O contrato celebrado é completamente diferente: em vez de contratar limpar as ruas, o contrato celebrado entre esta senhora e as entidades, foi então que ” as ruas estivessem limpas”. O que fez esta funcionária do departamento de limpeza então? Investiu na educação
“Foi o melhor investimento que fiz”
- “O que fiz foi muito simples, com a ajuda de umas pessoas cá da terra, tratei de arranjar forma de ensinar às pessoas para não sujarem o chão, numa primeira fase, e depois, em varrerem em frente ás suas casas numa fase seguinte. Antes do contrato, eu queria era que as pessoas atirassem lixo para o chão, para eu não perder o meu emprego, mas quando me apercebi que o contrato era seguro, tratei de por em prática o que achava: que educar é o melhor a fazer”.
Esta senhora agora continua a ter esporádicamente que limpar uma coisa ou outra que deixam pessoas fora do concelho, pois nas outras freguesias já conseguiu sensibilizar também para estas práticas e tem corrido tudo muito bem. Neste momento está já a planear uma acção ao nível do conselho.
-”Tal como eu, muitas pessoas se podem reformar e ter tempo para fazer aquilo que gostam!”



Um restaurante que sabe do que gosta de falar

22 10 2009

Hoje fui a um restaurante muito interessante. Está ligado a uma base de dados de pessoas que colocaram online os seus interesses e quando alguém faz uma marcação ou chega para uma refeição, se  indicar que gostaria de conhecer alguém de uma determinada área profissional ou interesse particular, eles fazem várias propostas nesse sentido.
Há também o modo aleatório, que é uma espécie de lotaria de encontros sociais. Fui ontem lá e vi que com certeza já muita gente está a experimentar esta opção: uma freira conversava com uma adolescente gótica sobre o prazer que partilhavam em vestir preto e serem muito pálidas, uma criança de 8 anos conversava com um multimilioário, tentando perceber qual deles tinha a maior colecção de carrinhos e uma padeiro conversando com um entrega pizzas, excitados com as potencialidades na velocidade em solo urbano.
Esqueci-me do site do restaurante: entretanto ponho aqui.