As angústias de um protoblogger

13 04 2010

Há já muito tempo que tenho desejado escrever regularmente no meu blog, e embora isto fosse algo que regularmente me aparecia como tarefa a pôr em prática, a verdade é que meses e meses se passavam sem que nada fosse escrito. Espero que de alguma forma possam interessar estas angústias e dificuldades pelas quais tenho passado.

  • O apreço dos outros

Uma das conclusões a que cheguei há bem pouco tempo, é a de que uma parte de mim pensava na escrita do blog como forma, não só de auto-promoção, como de conquista do apreço dos outros. No meu caso eu já era exigente o suficiente no que toca à a apresentações públicas da apresentação da minha pessoa. Somando a isto a exigência imaginada dos outros imaginados, a consequência era um inevitável bloqueio, principalmente quando surgia alguma dúvida sobre se o trabalho (texto) que estava a construir seria avaliado de forma positiva pelos outros que o liam.

Da mesma forma isto retirava o foco de dentro de mim para fora de mim. Em vez de estar a considerar se o texto fazia sentido para mim (quer do ponto de vista de construção quer do ponto de vista do propósito porque o realizo) preocupava-me infrutiferamente à volta da questão da compreensão dos outros e nesse caso, o que pensariam da pessoa que o escreveu, isto é, eu.

  • Antecipação de problemas

Outro dos aspectos que tem dificultado o real acontecimento de passar a texto as minhas experiências é a constante antecipação do que poderá correr mal. Será que vou desistir a meio e logo à partida este meu esforço é descabido? Será que vou ter dificuldade em apresentar de forma integrada todas as dimensões da minha experiência e logo isto será à partida apenas mais uma salsada de intenções em que ninguém se percebe? Depois, para cada um deste problemas, tentava resolvê-los de forma únicamente hipotética, sem recurso a uma experiência real. Depois, como dificilmente se resolvem as coisas desta forma e eu gostaria de começar a escrever a sério apenas quando tivesse as questões todas resolvidas ( como é que se faz isto?), acabava sempre por ir protelando e o resultado prático era próximo de nulo. Os problemas resolvem-se mais facilmente em movimento, não parado e hipoteticamente. Os “ses” e as hipóteses são em maior número do que aquilo que efectivamente acontece. Dá menos trabalho ir resolvendo o que aparece do que resolver o “E se acontecer assim, como é que eu faço?”. Uma bela resposta a isto: logo se vê…

  • Dicas externas e blogs de referência

Na verdade nem sequer tenho lido muito sobre isto no momento. Já li algumas dicas de como se deve gerir um blog e agora sigo em particular um blog norte-americano em desenvolvimento pessoal: www.stevepavlina.com. Isto foi o suficiente para me por a desejar fazer algo de parecido ou igual. Quer no esforço que pensei ser necessário dispender para seguir os passos e recomendações para a criação de um bom blog, quer na colagem que pretendia fazer ao blog do Steve Pavlina. Cheguei até a pensar pegar nos artigos do Steve e de forma pessoalizada dar-lhes uma tradução para o português com uns acrescentos da minha parte. Estava a propor-me portanto a ser o tradutor do Steve Pavlina. Isto seria admitir que não considero que tenha algo de particular a dizer ao mundo e que, o melhor a que me poderia propor, seria trazer para a língua portuguesa um trabalho que acho largamente interessante e meritório.

Neste momento concluo que estou disposto a arriscar a ser eu mesmo em termos de escrita. O que provavelmente significa que não haverá escrita ;)

  • Talvez eu até nem seja um blogger

Sem querer, a terminação do parágrafo anterior encaixou maravilhosamente. Possivelmente uma das maiores razões para eu não me ter posto a escrever a sério é a seguinte: quanto mais cedo me puser a escrever, mais cedo me posso aperceber que afinal isto era uma ilusão. Será que não quero escrever porque me vejo de alguma forma retirar algum status social desta actividade? Ao dedicar-me seriamente a esta jornada poderei perceber que afinal isto não é para mim e assim retirar um domínio da tão por mim apreciada zona do “Eu podia ser”. O facto de pensar nestes termos e assumir frontalmente a possibilidade de eu ser uma verdadeira nulidade no que toca a fazer isto, dá-me a liberdade que necessito de escrever sem pressão.

  • Ninguém vai ler, de qualquer forma…

Outra das dificuldades que tenho é de imaginar realmente que este blog será lido por muita gente. Se bem que é verdade que desejo que assim aconteça, há alguns receios que me fazem recuar face a essa hipotética realidade. Como é isso de ter pessoas a seguirem o que escrevo, que tipo de responsabilidade me traz, que quantidade de privacidade me pode tirar? Portanto, ao mesmo tempo desejo ser lido e ao mesmo tempo reconheço o receio que existe em mim de que isso efectivamente aconteça. Sei bem o tipo de consequências que esta indefinição minha pode ter na realidade que os acontecimentos assumem. Esta dificuldade poderia ser colocada de outra forma: “Estou a escrever para quem?”. Quem serão as pessoas que poderão estar interessadas em ler o que tenho para escrever? Mais uma vez, a resposta para esta questão é bastante pragmática: o tempo o dirá…

  • Questões técnicas

As questões técnicas assustam-me um bocado, porque em termos de internet, sempre precisei de amigos para mas resolverem. Vou tentando perceber um pouco mais e até já montei um blog sozinho, mas conheço bem as minhas grandes limitações nessa área. Mais um problema antecipado…

  • O que tenho eu para contribuir afinal?

Esta limitação assume duas formas. Em primeiro lugar, o esforço de descobrir de que forma poderá a minha escrita contribuir para um mundo mais parecido com aquilo que eu desejo que ele seja. De tudo aquilo que compõe a minha experiência, o que e que será realmente importante? O que é que é digno de nota, de aparecer, de se tornar visível aos olhos dos outros e que não se torne um peso ou uma perda de tempo. Uma questão ainda mais fundamental e geradora de algum constrangimento é a seguinte: será que, em absoluto, eu tenho alguma contribuição interessante a dar ao mundo através da minha escrita?

No caso da resposta ao que temos atrás ser positiva, coloca-se ainda uma outra angústia. Conhecendo-me eu como um ser tão multi-dimensional, será que este blog não ficaria ao fim de pouco tempo uma verdadeira salsada onde ninguém realmente consegue orientar-se?

  • E agora?

Estas e outras questões, sentimentos e reservas, fazem com que a experiência de ver construído um trabalho consistente deste tipo na internet, me venha sendo negado. Na verdade não estaria preparado, na realidade. Embora não tenha a certeza de que estarei realmente preparado tenho a firme convicção que estou muito melhor preparado do que noutras alturas e um bom exemplo disso é este primeiro post que volto a escrever depois de uma ausência bastante prolongada.

A fabulosa e libertadora conclusão a que chego é que, em vez de tentar resolver comigo mesmo todas estas questões antes de começar nisto a sério, assumo á partida que este será um óptimo trajecto para resolver todas essas e outras questões e chegar do outro lado mais enriquecido. E pode acontecer, se ainda não existe, de este ser o primeiro blog com uma taxa de actualização de um post/ ano.

Obrigado por teres lido isto ;)



Mini-maratona do Porto

14 11 2009

No domingo passado um amigo levou-me para percorrer as ruas do Porto. Embora não tenha feito os 14km (optei pelos 5 km), foi uma experiência muito interessante. É uma bela forma de começar o domingo de manhã.

É muito agradável também ver tanta gente a participar. Muito melhor que ouvir qualquer palestra sobre saúde é ver todas aquelas pessoas a correr ou a caminhar.

Meia Maratona do Douro 2

Por estas e por outras razões, decidi que hei-de fazer uma maratona, pelo menos uma vez na vida. Estou a organizar a minha vida de forma a poder dispor do meu tempo como eu bem quiser. E portanto, quando depender só da minha vontade, irei (continuar a) correr até chegar a este objectivo.

É a isto que eu chamo ( e não sou o único) investir na saúde.



Turismo de experiência

7 11 2009

Ontem numa aula de psicologia de desenvolvimento, propus aos alunos pensarmos em grupo sobre a seguinte questão “como vêem Portugal daqui a 20 anos?”. A maior parte dos relatos foram negativos, desde a desestruturação das instituições como a Justiça, a Educação e a Saúde, o quadro pintado foi algumas vezes negro. Uma boa parte destas pessoas estão desapontadas e têm dificuldade em ver um futuro brilhante para Portugal.

Posso dizer-vos que estou verdadeiramente optimista em relação ao nosso País. Por estar optimista, conheço cada vez mais pessoas optimistas e juntos damo-nos força para continuar.

A visão que tenho para Portugal daqui a 20 anos (altura em que algumas das crianças com quem trabalho estarão entre os 26 e os 34) é de um Portugal em visível emancipação:

-       A educação terá levado finalmente uma reviravolta há tanto tempo necessária e já não será feita em instituições ou estas estarão completamente transformadas. As nossas crianças serão educadas para um turismo de luxo e de experiência. Muita desta educação será feita na casa dos educadores e não nas escolas.

-       Cada casa será um potencial de acção turística: mais um quarto ou dois servirão para albergar visitantes ao nosso País

Os nossos emigrantes irão ter  um papel importantíssimo nisto tudo. Se os nossos emigrantes voltarem para as nossas freguesias, aldeias e cidades, teremos um tradutor em cada canto e a comunicação será facilitada. E onde é que estão os nossos emigrantes? Estão nos 4 cantos do mundo. Em cada emigrante há uma pessoa a pensar como há-de voltar à sua terra. Se não pensam nisto, dão voltas na cabeça às razões que os impedem de voltar. Pois posso dizer-vos: há lugar para toda a gente. Em Agosto, quando voltam os emigrantes é uma festa. Já repararam bem na Alegria de um emigrante por cá voltar?

O Turismo de Experiência

Este tipo de turismo começa já a surgir em força e Portugal vai aproveita-lo em força também. Num outro post falo da pesca como turismo de experiência, a agricultura também está a dar cartas nesta área, principalmente no Brasil.

pesca_vila_do_conde

O turismo de experiência é um mar infinito de possibilidades. Aqui ficam algumas que me lembro disponíveis para os visitantes experienciarem em Portugal:

-       Desporto – principalmente o futebol, está claro, mas também todas as outras modalidades em que a pessoa poderia juntar-se a outras que já a estariam a praticar.

-       Pesca e Agricultura que já referi.

-       Cantares e dançares tradicionais e não só. Tudo o que seja cantar, dançar e exprimir-se artisticamente assim, como é exemplo o andanças e outros festivais organizados pelos pés-de-xumbo e não só.

-       Culinária – organização de oficinas de culinária

-       Saúde -  já se começa a organizar, mas ainda não está muito cimentado. Por exemplo, pessoas que vêm da Suíça para tratar os dentes e têm hotel incluído. Isto poder-se-ia aplicar a outras coisasNão me vou alongar mais, creio que já perceberam a ideia.

E entre vocês, que ideias têm surgido para gerar emprego em Portugal através do turismo de experiência?



Humoristas ajudam professores

22 10 2009

Ontem fui dar a primeira aula de psicologia do desenvolvimento e aprendizagem,  que estou a dar no Instituto Piaget em Gaia. Convidei o meu amigo Nuno Pinto a ser responsável por um “início de aula fantasma” entre dizer que a bibliografia iria ser em Alemão e já ter agendada uma viagem ao Zoo de Lisboa com o objectivo de perceber os macacos, nossos ancestrais, para poder conhecer o homem, os alunos perguntavam-se uns aos outros “quem é este cromo?”a. Habituados que estamos às apresentações em conjunto, isto mereceu-lhe  uma salva de palmas dos alunos que riam, misto de boquiabertos e divertidos. Isto deu logo o mote para uma aula descontraída que entre apresentações e matéria teve sempre o humor bem destacado. Posso arriscar dizer que todos os alunos gostaram bastante do que estiveram a fazer e saíram da interessados, relaxados e a pensar “quero mais”.

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A minha próxima acção é telefonar para as produções fictícias e propor-lhes que façam cursos de humor para professores e qui ça, terem um papel preponderante na elaboração dos manuais escolares. Vá lá Produções Fictícias, depois pagam-me um jantar ;)

Já agora, alguém sabe de mais alguma empresa de humor em Portugal?



O discurso motivacional do Rocky

22 10 2009

O Rocky sabe do que fala. É uma desculpa dos cobardes dizer que não está onde queria estar por causa deste, daquele ou daquela. Nós estamos onde queremos estar, é só preciso aceitar o mundo como é a cada momento e fazer o melhor possível com isso. O melhor possível de nós mesmos. E para isso, só há um remédio: acreditarmos em nós mesmos.



Como falar em público

22 10 2009

Estes dias estive com um amigo meu que é professor universitário e me confessou que estava um pouco ansioso. Tem pela frente algumas situações de exposição pública em breve e sente-se confrontado com uma ansiedade que o assalta. Na verdade, como é fácil de compreender, não é a própria exposição pública no acto de fazer a apresentação que é o problema, mas sim as crenças que sustenta (no sentido de alimentar :) ).
Falar em público sempre foi uma coisa muito natural para mim. Desde criança na  apresentação de espectáculos que fiz até aos dias de hoje, bem como nas formações ou nas aulas que dou presentemente. Para perceber melhor esta questão fiz algumas investigações que me levaram ao site do Alex Ryan www.10publicspeakingtips.com . Fiz o download do ebook como base para confrontar com a minha experiência.

Ponto 1 – Falar em público não é inerentemente stressante.
Como tudo na vida, o que é stressante não é a situação em que nos encontramos, mas a percepção que as nossas crenças têm da mesma. Isto explica o facto de milhares de seres humanos falarem em público sem qualquer problema, e até mesmo quem tem esta dificuldade, tê-la apenas para situações mais específicas. Por isso, um dos trabalhos fundamentais será o trabalho das crenças, algumas das quais serão abordadas a seguir. Eu sei perfeitamente isto, porque a maior parte das vezes senti-me bem falando em público, mas sei também que houve outras em que me senti mais constrangido. Darei alguns exemplos mais à frente.

Ponto 2 – Não é preciso ser brilhante ou perfeito para ter sucesso
Quando imaginamos o orador público de sucesso podemos imaginar uma pessoa simpática, espirituosa e inteligente e pensar “Eu nunca conseguirei ser assim”. Na verdade não é disso que se trata, e uma audiência não está à espera disto. Na verdade, imaginem-se como espectadores e de certeza não se importam que a pessoa se esqueça do que ia a dizer, se engane em alguma afirmação ou fique com a língua enrolada.
A parte importante de uma comunicação é o valor que estamos a passar para as outras pessoas. Na minha experiência, o meu interesse sempre foi sair de uma comunicação mais enriquecido, com ideias novas e novas ferramentas para aplicar na minha vida. Não fico a pensar “Que ideias fenomenais que me passou, mas poderia ter sido um pouco mais simpático”.
O essencial no acto de falar em público é: dar à audiência algo de valor. Se as pessoas se forem embora depois de falar com algo de valor, irão extremamente contentes e na verdade, é só isso que interessa.

Ponto 3 – Tudo o que é preciso são 2 ou 3 pontos
Não vai transmitir uma montanha de factos à sua audiência. Muitos estudos revelam que as pessoas não retêm a maior parte dos factos. Por vezes basta concentrar-se num único ponto. As pessoas que optam por controlar cada mínimo pormenor de uma apresentação, muitas vezes ficam exaustas antes da mesma. Com tantos aspectos para controlar, quando falta um, o sentimento de ansiedade gerado e os pensamentos associados podem fazer descarrilar todo o comboio.
Lembra-te de que tudo o que a tua audiência quer é sair da palestra com dois ou três pontos que façam a diferença para eles. Se estruturares as comunicações para oferecer este resultado, podes evitar um monte de complexidade que não é necessária. Isto faz a tarefa de falar em público muito mais fácil e também muito mais interessante.

Ponto 4 – Também precisas de um propósito que seja adequado à tarefa
Este princípio é muito importante, por isso é importante prestar atenção. Muitas vezes as pessoas não estão a operar de acordo com o propósito que deviam, mas sim com propósitos inconscientes que podem gerar bastante stress e ansiedade.
Este é um exemplo da causa mais representativa do stress de falar em público: muitas vezes quando eu apresentava um espectáculo, em particular da Tuna Universitária do Minho, um dos principais objectivos era “agradar à Tuna”. Ora, como podem perceber, agradar à Tuna e ao público ao mesmo tempo, torna-se uma tarefa impossível de realizar com sucesso. Quem consegue agradar a 100% das suas plateias?
A verdade sobre falar em público é independentemente do teu bom trabalho, a grande maioria das vezes alguém te vai desaprovar. Uma plateia é feita de opiniões, julgamentos e reacções diversas. É preciso lembrar que o importante aqui é dar valor à audiência. A palavra operativa é “dar” e não “receber”. A parte do receber virá como consequência natural do dar.
Como exercício, Alex Ryan propõe que nos imaginemos a dar notas de €500 ao público, se houver alguém que não aceite, está no seu direito ;)

Ponto 5 – A melhor maneira de ter sucesso é não se considerar um orador
Muitos de nós tem uma expectativa irrealista do que é um bom orador público. Assumimos que é preciso trabalhar muito para conseguir trazer à superfície qualidades que não possuimos no momento presente. Como consequência disto, tentamos desesperadamente copiar as características destas pessoas que nos poderiam tornar um bom orador. Por outras palavras estamos a tentar ser outra coisa que não nós mesmos. Estamos a tentar ser aquilo que acreditamos que um bom orador deve ser.
A verdade sobre falar em público é que as pessoas que o fizeram bem deram-se permissão para fazer exactamente o oposto: serem eles próprios. E para sua surpresa, descobriram que poderia ser muito divertido fazer uma coisa que muitas pessoas acham aterradora.
O segredo do seu sucesso, portanto, foi que eles não tentaram ser oradores.  Tu e eu podemos fazer exactamente a mesma coisa. Podemos estar à frente de outras pessoas e sermos nós mesmos.
Eu adoro falar em público, precisamente porque sinto que estou a dar tudo de mim (embora algumas vezes não o tenha feito). Não me sinto obrigado a ser o que quer que seja. Há uma ideia que os apresentadores de tunas tem que ser pessoas engraçadas e fazer os outros rir. Quando me senti obrigado a corresponder a esta expectativa isto corria furado. Agora sinto-me livre para ser quem sou e as coisas correm muito mais naturalmente, independentemente se nesse dia serei engraçado, ou queixoso ou mais formal. Desta forma o meu entusiasmo pode passar por qualquer um destes filtros, não se perdendo na tentativa de tentar ser algo que não sou.
Quando se fica realmente bom a falar em frente a outras pessoas muitas vezes até se brinca com o facto de não estar bem preparado e confiar no nosso poder de improviso.
Da próxima vez que vires alguém a falar em público que gostes, não penses “gostava de ser como aquela pessoa, de ter a confiança daquela pessoa para poder falar bem em público”. O que tens que pensar é: “Eu vou ser capaz de transmitir coisas de valor aos outros, sendo eu mesmo. A confiança e destreza, será uma consequência disto”

Ponto 6-  A humildade e o humor podem levar-te longe
O propósito do humor, não é mais uma vez, fazer com que as pessoas nos achem engraçados, mas dar genuinamente um presente humorístico a quem nos ouve. Em relação à humildade, refere-se a estarmos em frentes aos outros e conseguirmos partilhar as nossas partes supostamente menos apreciáveis como erros, gestos menos bonitos ou ignorância. Isto cria um clima de confiança onde as pessoas podem aceder também às suas partes menos boas.
Ser humilde na frente dos outros torna as pessoas mais credíveis e paradoxalmente mais respeitáveis. Quando somos humildes, passamos a fazer parte da plateia. Isto coloca um tom de auto-aceitação no qual a plateia se pode rever e que traz um bom sentimento associado à comunicação. Isto não quer dizer que se finja ser humilde ( a plateia vai perceber e não vai gostar), mas antes alertar para um facto normalmente desconhecido: não precisamos construir fachada para ter sucesso, podemos ser humildes à vontade desde que isto seja uma manifestação autêntica da nossa pessoa.
Muitas vezes o humor e a humildade podem ser juntos com um belo efeito. Contares histórias humorísticas acerca de ti mesmo, aproveitando para contar alguns falhanços pode ser bastante engraçado e esclarecedor.
Por exemplo, se ficares nervoso quando inicias uma comunicação em público ou se o ficas a meio da comunicação, não hesites em partilha-o com a audiência. Se honesto e humilde. Pede licença e tira uns minutos para te recompor.
Podes também fazer piada com o teu nervosismo do tipo “Estou tão nervoso que pareço um vibromassajador facial” (provavelmente vou tirar esta piada, pois há piadas melhores :) ) ou então “tenho que me portar direitinho se não não me dão boa nota”.

Ponto 7 – Quando falas em público nada de realmente mau pode acontecer
Uma das coisas que alimenta o medo de falar em público é o medo que as pessoas têm de que alguma coisa terrivel ou humilhante lhes aconteça.
Perguntas como: E seu eu me esquecer de tudo e ficar ali simplesmente calado em frente à audiência? E se a plateia me odeia e começa a atirar-me coisas? E se todos se vão embora depois dos primeiros 10 minutos? E se começam logo com perguntas difíceis mal eu acabe? E se alguém na audiência tenta virar o grupo contra mim?
Uma das estratégias que tirei da psicologia da narrativa e que é usada no resolver de fobias a crianças é o contínuo questionar destes aliados do medo com a questão “E depois?” quando um daqueles pensamentos nos surgem na cabeça.
Um pensamento de resposta que este autor diz que é eficaz é o seguinte: “tudo o que acontecer eu vou poder usar em minha vantagem”. Por exemplo, se as pessoas se começarem a levantar, posso perguntar por feedback. Saber se fui ofensivo com elas. Se por acaso pensavam que estariam numa palestra diferente. Independentemente do que estas pessoas possam referir, lidar com elas de forma humilde e honesta vai facilitar a comunicação com a audiência remanescente. Dá-me também informação de como estou a afectar as pessoas e tirar daí correcções que estão a ser precisas.
Se assumires que nada de errado pode acontecer numa sessão, vais ficar espantado com a espiral positiva em que a tua presença consciente permitiu que pudesses agir de acordo com esta crença, o que ainda reforça mais a crença. Nada de mal pode acontecer, tudo pode ser usado em teu benefício. É sempre a crescer.

Ponto 8 – Não tens que controlar o comportamento da tua audiência
Há algumas coisas que precisas de controlar: os teus pensamentos, a tua preparação, os teus arranjos áudio-visuais, a disposição da sala. Mas uma coisa que não vais controlar é o comportamento da audiência. Se alguém está a conversar para o vizinho, a ler o jornal ou a adormecer, deixa estar. Se parecer que não estão atentos, não faz mal. A não ser que alguém esteja realmente a ser disruptivo, não há nada que realmente possas fazer.
Pensar que tens que mudar ou controlar a audiência é uma causa escondida de stress em muitas áreas da vida. Isto é tão verdade para um relacionamento com um grupo como é na relação com os teus amigos ou família.

Ponto 9 – Em geral, quanto mais te preparas, pior vai sair
A preparação é importante para qualquer apresentação. Agora, como te preparas e quanto tempo despendes nesta tarefa, são completamente assuntos diferentes. A maior parte dos erros que já falamos vão interferir na preparação que as pessoas fazem para a comunicação em público. Se estiveres com o foco(propósito) errado, se tentares ser perfeito, se quiseres que as pessoas te aplaudam a todo o momento, se acreditares que alguma coisa de mal possa acontecer, então é provável que te dirijas como um tolo para uma preparação excessiva.
Por outro lado, se conheceres bem o tema da tua comunicação, se já falaste sobre ele várias vezes antes, talvez só precises de uns minutos para preparar. Basta reveres 2 ou 3 pontos chave e estás pronto para andar.
Um ritual de preparação excessiva significa que ou não conheces bem o assunto, ou não sentes confiança para falar em público. Para a primeira razão, a solução é estudar mais, para a segunda, vais ter que desenvolver confiança na tua habilidade natural para falar em público. A única forma de conseguir isto continuares a expor-te a estas situações.
Vai à procura de oportunidades de falar em público acerca do teu assunto. Oferece-te para falar de borla ou por uma pequena quantia, suficiente apenas para te cobrir as despesas. Se tiveres algo de valor para dizer aos outros, continua a aparecer em público e a oferece-lo. Em pouco tempo, vais ganhar confiança. Vais começar também a respeitar o orador/ comunicador dentro de ti.

Ponto 10 – A tua audiência quer realmente que tu sejas bem sucedido
A maior parte das pessoas tem medo de falar em público, tal como tu. Eles conhecem o risco de embaraço, humilhação e falhanço que existe quando alguém se apresenta em público. Eles admiram a tua coragem e vão apreciar o teu esforço, independentemente do que acontecer.
Isto significa que a maior parte das audiências realmente desculpam. Enquanto que um erro ou uma engasgadela podem ser muito perturbadores para ti, não o são realmente para a tua audiência. Os julgamentos e apreciações da parte deles, geralmente serão muito mais relaxados que os teus. É importante relembrar este ponto, mesmo se tu achaste que o teu desempenho foi pobre.

Revisão das 10 causas possíveis para o stress de falar em público
1. Pensar que falar em público é inerentemente stressante.
2. Pensar que precisas de ser perfeito ou brilhante para te sucesso.
3. Tentar passar um máximo de informação ou cobrir demasiados pontos numa apresentação.
4. Ter o propósito errado na cabeça (receber em vez de dar/contribuir).
5. Tentar agradar a toda a gente (isto é irreal)
6. Tentar copiar outros oradores (muito difícil) em vez de simplesmente seres tu mesmo (muito fácil).
7. Tentar esconder que se é e não usar de humildade.
8. Ter medo de resultados negativos (eles quase nunca se dão e quando isto acontece, podes sempre usa-los para tua vantagem)
9. Tentar controlar as coisas erradas (o comportamento da audiência, por exemplo).
10. Passar demasiado tempo a preparares-te (em vez de desenvolver confiança e confiar na tua capacidade natural para ter sucesso)
11. Pensar que a audiência será tão crítica do teu desempenho como tu.

Revisão dos 10 princípios a sempre ter em mente
1. Falar em público não é inerentemente stressante.
2. Não é preciso ser brilhante ou perfeito para ter sucesso
3. Tudo o que é preciso são 2 ou 3 pontos
4. Também precisas de um propósito que seja adequado à tarefa
5. A melhor maneira de ter sucesso é não se considerar um orador público
6. A humildade e o humor podem levar-te longe
7. Quando falas em público nada de realmente mau pode acontecer
8. Não tens que controlar o comportamento da tua audiência
9. Em geral, quanto mais te preparas, pior vai sair
10. A tua audiência quer realmente que tu sejas bem sucedido
Ter estes aspectos em mente é o suficiente para estar no caminho certo. Agora o importante é praticar, praticar e praticar e em pouco tempo vais ver que estás um orador confiante.
Lembra-te, se estiveres em público para fazer uma comunicação e ficares stressado é porque estás enganado e te esqueces-te da verdade sobre falar em público. Lê este post de novo se isso te acontecer. Percebe o que não funcionou e depois, volta a praticar. Pode demorar um pouco mas os ganhos a longo prazo são impressionantes.
Pronto para avançar?



Como fazer um vídeo para um blog

22 10 2009

Estes dias vi alguns vídeos que me entusiasmaram a fazer vídeos. É isso mesmo!
A meio, reparei que estava simplesmente a ver e já a sonhar comprar microfones porreiros e na verdade ainda não tinha dado o primeiro passo: fazer um vídeo. Decidi então fazer um vídeo no meu macbook com o imovie. Não sei porquê, para além do mau som, devido ao eco, que refiro no vídeo, a captura ficou também bastante má, faltando algumas partes do movimento. Para quem quer ver uma evolução é do melhor, pois não podia estar pior. Por isso, só é possível evoluir!
Cá está ele:



Gestão do dinheiro e gestão da educação – estratégias disfuncionais.

22 10 2009

O endividamento das famílias portuguesas é algo de extremamente preocupante. É apenas o segundo mais elevado da Europa.
A ansiedade gerada em volta o consumo e a incapacidade de decisão a longo prazo por parte das das famílias faz com que estas se deixem levar por compras e gastos completamente desadequados das suas possibilidades em sintonia com a expressão “como se não houvesse amanhã”. Este comportamento faria antecipar, talvez, que as famílias portuguesas, estando menos preocupadas com o futuro, viveriam de forma mais plena, disfrutando um pouco mais do momento presente. Nada mais equívocado.
Consumo e condicionamento
Todo o consumo (pelo menos na forma contemporânea de consumir) assenta no condicionamento da mente. Em palavras simples, o que a publicidade nos passa é o seguinte: se consumires isto, vais ter o resultado que queres, que é aquilo. Este modelo económico integra à partida duas falácias: a primeira é de que efectivamente a necessidade expressa vai ser saciada pelo consumo deste ou daquele produto; a segunda é a de que vai ficar tudo bem, quando na verdade sabemos que mais e mais necessidades continuarão a ser geradas para dar movimento ao consumo.
Por isto afirmo que quando alguém consome algo que realisticamente (do ponto de vista de sobrevivência e segurança não necessitaria) tem associado um sentimento de que vai ficar, de alguma forma, melhor com aquele consumo. Daí que não esteja a disfrutar do presente, aproveitando o bem recentemente adquirido, mas a antecipar os benefícios “comprei este carro, agora é que eu vou ser respeitado.
Os créditos e o sacríficio do futuro
Ao fazer créditos de forma a deixar-me ficar completamente limitado nas minhas opções financeiras, estou, como se costuma dizer, a hipotecar o meu futuro. Na verdade, não estou a ser meu amigo e é provável que me venha a rogar pragas futuramente e a minha relação comigo mesmo se venha a deteriorar. Um dos mecanismos de pensamento que permite isto é o “não quero saber” ou o “que se lixe”. É o que se pode chamar de “preguiça mental” e que como podem antecipar, traz problemas futuros ainda mais difíceis de resolver, quando poderiam ter sido cortados pela raíz “não compro, porque isto me vai por em maus lençois”. O essencial do crédito para consumo é que estamos a vender o nosso futuro e não falta quem o queira comprar.
A educação, a televisão e as prioridades trocadas
Agora lembro-me de uma letra dos xutos “Putos que crescem sem se ver, basta pô-los em frente à televisão!”. É isto que toda uma geração está a fazer. A hipoteca do futuro dos filhos. A televisão é a máquina mais poderosa de condicionamento ao consumo que alguma vez se viu. Assistam com os vossos filhos toda uma manhã a ver desenhos animados na televisão e vejam a quantidade de propaganda consumista que vos vai entrar pelos olhos a dentro.
Crianças a ser educadas em frente à educação é futuro hipotecado. Eles vão continuar a pedir-vos para comprarem aquilo que lhes disseram que os vai deixar mais felizes, para se desiludirem e voltarem a iludir-se com outra coisa qualquer. E no futuro que é que eles aprenderam a ser? Apenas robots: trabalhos na escola, aprendizagem mecanizada, condicionamento televisivo e consumo. No futuro o trabalho na escola é substituido por trabalho na fábrica e o ciclo continua. Terão possibilidade de decidir? Sempre, mas sem dúvida diminuida porque estão sem ferramentas para encarar o mundo, tem uma mente condicionada e pouco habituada a pensar por ela própria.
Achegas finais
Um tabuleiro de xadrez custa €10 e tem possibilidades infinitas de ocupação e desenvolvimento. Uma bola é igual, dando-lhes espaço para brincar. Uma flauta permite milhões de melodias, conversar é de borla, dançar também, ouvir música também é quase, a praia é de borla.
O tempo, tenha tempo para os seus filhos, tenha a cabeça livre para os seus filhos. Esteja realmente com eles. Está na hora de quebrar o ciclo. É agora.



Hipermercados -vendas de intangíveis ganham a corrida

22 10 2009

Segundo as estatísticas oficiais do Instituto Nacional de Estatística, a venda de bens intangíveis ultrapassaram, no primeiro trimestre do corrente ano, a venda de bens tangíveis nos hipermercados
Tudo começou com a venda de experiências como spa, turismo rural, etc. que se vendiam em algumas superfícies comerciais mais vanguardistas. As grandes superfícies comerciais identificaram rapidamente a oportunidade e começaram a massificação da venda deste tipo de experiências.
Os bens intangíveis como desenvolvimento pessoal, psicoterapia, acompanhamento de estudo para os filhos, speeddating e desportos de aventura foram os mais representativos. Seria difícil de prever, mas actualmente, as prateleiras com venda de serviços e experiências ocupam, neste momento, a maior parte das superfícies comerciais de massas e a tendência é para aumentar.
Os empresários afirmam que são produtos mais interessantes, pois não passam de data, são mais ecológicos e contribuem para o desenvolvimento da comunidade. As superfícies poupam, portanto nas perdas relacionadas com validades e qualidade dos artigos. Este tipo de venda, fomenta também o desenvolvimento local, pois está sempre integrados com empresas da região. “Podemos ter bananas do Chile, mas não podemos ter uma experiência de desenvolvimento pessoal no Chile, quer dizer, podemos, mas é tão cara que dificilmente iríamos vender.
E você, qual foi a última experiência que comprou num hipermercado?



De volta ao gomo de laranja.

22 10 2009

E pronto, chegamos novamente ao gomo de laranja. Tudo aconteceu num pequeno café de vila do conde que se recusou a servir mais sumos em latas ou pacotes, era muito lixo, dizia David Lemos, um ecologista ferrenho. Apenas faziam sumos de laranja natural e de outras frutas. Uma ocasião David reparou “então a máquina também não vai ser lixo dentro de pouco tempo?”. A partir daí, como o próprio refere “comecei apenas a servir a fruta, comprada a produtores locais.
O apreço dos produtores locais.
O apreço dos produtores locais por este projecto tem sido mais do que evidente: “Então andavam a vender embalagens de sumo mais pequenos que uma laranja, mais valia venderem logo as laranjas” diz António Crespim, dono de um extenso pomar na freguesia de Macieira.
Neste pequeno “café verde”, os produtores têm muitas vezes a oportunidade de explicarem as técnicas de produção que utilizam e os investimentos que têm feito com as vendas da fruta, para que os consumidores tenham possibilidade de decidir de forma ainda mais informada.
As condições impostas
Para vender, este pequeno estabelecimento, exige aos produtores que venham reaver as embalagens (vulgo casca da fruta). “Como se isso fosse um problema” diz António Crespim, ” O que não dou aos animais, ponho no compostor e ainda vendo o composto à Lipor e faço um bom dinheiro”
Tudo começou num pequeno café e está já a alargar-se a outros cafés da região. Em breve trarei mais notícias sobre isto.