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2009
O endividamento das famílias portuguesas é algo de extremamente preocupante. É apenas o segundo mais elevado da Europa.
A ansiedade gerada em volta o consumo e a incapacidade de decisão a longo prazo por parte das das famílias faz com que estas se deixem levar por compras e gastos completamente desadequados das suas possibilidades em sintonia com a expressão “como se não houvesse amanhã”. Este comportamento faria antecipar, talvez, que as famílias portuguesas, estando menos preocupadas com o futuro, viveriam de forma mais plena, disfrutando um pouco mais do momento presente. Nada mais equívocado.
Consumo e condicionamento
Todo o consumo (pelo menos na forma contemporânea de consumir) assenta no condicionamento da mente. Em palavras simples, o que a publicidade nos passa é o seguinte: se consumires isto, vais ter o resultado que queres, que é aquilo. Este modelo económico integra à partida duas falácias: a primeira é de que efectivamente a necessidade expressa vai ser saciada pelo consumo deste ou daquele produto; a segunda é a de que vai ficar tudo bem, quando na verdade sabemos que mais e mais necessidades continuarão a ser geradas para dar movimento ao consumo.
Por isto afirmo que quando alguém consome algo que realisticamente (do ponto de vista de sobrevivência e segurança não necessitaria) tem associado um sentimento de que vai ficar, de alguma forma, melhor com aquele consumo. Daí que não esteja a disfrutar do presente, aproveitando o bem recentemente adquirido, mas a antecipar os benefícios “comprei este carro, agora é que eu vou ser respeitado.
Os créditos e o sacríficio do futuro
Ao fazer créditos de forma a deixar-me ficar completamente limitado nas minhas opções financeiras, estou, como se costuma dizer, a hipotecar o meu futuro. Na verdade, não estou a ser meu amigo e é provável que me venha a rogar pragas futuramente e a minha relação comigo mesmo se venha a deteriorar. Um dos mecanismos de pensamento que permite isto é o “não quero saber” ou o “que se lixe”. É o que se pode chamar de “preguiça mental” e que como podem antecipar, traz problemas futuros ainda mais difíceis de resolver, quando poderiam ter sido cortados pela raíz “não compro, porque isto me vai por em maus lençois”. O essencial do crédito para consumo é que estamos a vender o nosso futuro e não falta quem o queira comprar.
A educação, a televisão e as prioridades trocadas
Agora lembro-me de uma letra dos xutos “Putos que crescem sem se ver, basta pô-los em frente à televisão!”. É isto que toda uma geração está a fazer. A hipoteca do futuro dos filhos. A televisão é a máquina mais poderosa de condicionamento ao consumo que alguma vez se viu. Assistam com os vossos filhos toda uma manhã a ver desenhos animados na televisão e vejam a quantidade de propaganda consumista que vos vai entrar pelos olhos a dentro.
Crianças a ser educadas em frente à educação é futuro hipotecado. Eles vão continuar a pedir-vos para comprarem aquilo que lhes disseram que os vai deixar mais felizes, para se desiludirem e voltarem a iludir-se com outra coisa qualquer. E no futuro que é que eles aprenderam a ser? Apenas robots: trabalhos na escola, aprendizagem mecanizada, condicionamento televisivo e consumo. No futuro o trabalho na escola é substituido por trabalho na fábrica e o ciclo continua. Terão possibilidade de decidir? Sempre, mas sem dúvida diminuida porque estão sem ferramentas para encarar o mundo, tem uma mente condicionada e pouco habituada a pensar por ela própria.
Achegas finais
Um tabuleiro de xadrez custa €10 e tem possibilidades infinitas de ocupação e desenvolvimento. Uma bola é igual, dando-lhes espaço para brincar. Uma flauta permite milhões de melodias, conversar é de borla, dançar também, ouvir música também é quase, a praia é de borla.
O tempo, tenha tempo para os seus filhos, tenha a cabeça livre para os seus filhos. Esteja realmente com eles. Está na hora de quebrar o ciclo. É agora.
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2009
Segundo as estatísticas oficiais do Instituto Nacional de Estatística, a venda de bens intangíveis ultrapassaram, no primeiro trimestre do corrente ano, a venda de bens tangíveis nos hipermercados
Tudo começou com a venda de experiências como spa, turismo rural, etc. que se vendiam em algumas superfícies comerciais mais vanguardistas. As grandes superfícies comerciais identificaram rapidamente a oportunidade e começaram a massificação da venda deste tipo de experiências.
Os bens intangíveis como desenvolvimento pessoal, psicoterapia, acompanhamento de estudo para os filhos, speeddating e desportos de aventura foram os mais representativos. Seria difícil de prever, mas actualmente, as prateleiras com venda de serviços e experiências ocupam, neste momento, a maior parte das superfícies comerciais de massas e a tendência é para aumentar.
Os empresários afirmam que são produtos mais interessantes, pois não passam de data, são mais ecológicos e contribuem para o desenvolvimento da comunidade. As superfícies poupam, portanto nas perdas relacionadas com validades e qualidade dos artigos. Este tipo de venda, fomenta também o desenvolvimento local, pois está sempre integrados com empresas da região. “Podemos ter bananas do Chile, mas não podemos ter uma experiência de desenvolvimento pessoal no Chile, quer dizer, podemos, mas é tão cara que dificilmente iríamos vender.
E você, qual foi a última experiência que comprou num hipermercado?
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10
2009
E pronto, chegamos novamente ao gomo de laranja. Tudo aconteceu num pequeno café de vila do conde que se recusou a servir mais sumos em latas ou pacotes, era muito lixo, dizia David Lemos, um ecologista ferrenho. Apenas faziam sumos de laranja natural e de outras frutas. Uma ocasião David reparou “então a máquina também não vai ser lixo dentro de pouco tempo?”. A partir daí, como o próprio refere “comecei apenas a servir a fruta, comprada a produtores locais.
O apreço dos produtores locais.
O apreço dos produtores locais por este projecto tem sido mais do que evidente: “Então andavam a vender embalagens de sumo mais pequenos que uma laranja, mais valia venderem logo as laranjas” diz António Crespim, dono de um extenso pomar na freguesia de Macieira.
Neste pequeno “café verde”, os produtores têm muitas vezes a oportunidade de explicarem as técnicas de produção que utilizam e os investimentos que têm feito com as vendas da fruta, para que os consumidores tenham possibilidade de decidir de forma ainda mais informada.
As condições impostas
Para vender, este pequeno estabelecimento, exige aos produtores que venham reaver as embalagens (vulgo casca da fruta). “Como se isso fosse um problema” diz António Crespim, ” O que não dou aos animais, ponho no compostor e ainda vendo o composto à Lipor e faço um bom dinheiro”
Tudo começou num pequeno café e está já a alargar-se a outros cafés da região. Em breve trarei mais notícias sobre isto.
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2009
Nas Caxinas, Vila do Conde, essa micro-cultura portuguesa, funciona desde há muitos anos um peculiar arranjo entre pesca e turismo. Tudo começou por uma empresa de turismo que decidiu vender a clientes ingleses a experiência de pescar no litoral norte português.
Os pescadores gostaram da experiência e sempre eram mais uns trocos a entrar. Entretanto aperceberam-se de alguns problemas que surgiram: os ingleses não sabiam nada de pesca nem de como se comportarem num barco e os pescadores nada percebiam de Inglês.
A escola de pescas decidiu resolver este problema: cedeu os espaços para que pudessem professores de inglês credenciados dar aulas aos pescadores e famílias, e também que os turistas tivessem aulas prévias de pesca, mais leves no caso de quererem a experiência de uma traineirazinha, mais exigentes se quisessem ir para a pesca do arrasto ou para a pesca do bacalhau.
Neste momento o projecto tem já 4 anos e para além dos serviços turísticos enunciados (podem-se ver agora restaurantes bem equipados dentro de barcos de pesca) há um desenvolvimento de toda a economia da região, por exemplo com várias mulheres que ensinam as turistas a fazer os xailes tradicionais desta região.
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10
2009
Na sexta-feira estava à espera para imprimir uns cartazes para uma colónia de férias que estou a organizar. Uma senhora queria imprimir uma fotografia que tirou para um espectáculo de crianças do jardim de infância. No entanto a foto estava escura numa parte que era suposto ser branca. Eu ofereci-me para no meu portátil, editar a imagem em photoshop.
Isto deu-me uma ideia. Quem trabalha em design e está a iniciar carreira, pode ir para as lojas pequenas de impressão, ficar a trabalhar numa mesa pequenina que lhe cedam ou aluguem e vai criando clientela que apareça e não saiba editar as imagens. Depois vai rodando pelas lojas e pode até aceitar serviços dos próprios donos das lojas, pagando-lhes comissões.
Quem ajuda a desenvolver esta ideia?
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2009
Esta varredora de ruas de S. Simão da Junqueira, em Vila do Conde, pode considerar-se praticamente reformada, neste momento o trabalho que tem é mínimo. A Câmara Municipal da Junqueira, em concertação com a Junta de Freguesia da Junqueira, propuseram um modelo que pode revolucionar o mundo ocidental.
O que aconteceu de diferente então?
O contrato celebrado é completamente diferente: em vez de contratar limpar as ruas, o contrato celebrado entre esta senhora e as entidades, foi então que ” as ruas estivessem limpas”. O que fez esta funcionária do departamento de limpeza então? Investiu na educação
“Foi o melhor investimento que fiz”
- “O que fiz foi muito simples, com a ajuda de umas pessoas cá da terra, tratei de arranjar forma de ensinar às pessoas para não sujarem o chão, numa primeira fase, e depois, em varrerem em frente ás suas casas numa fase seguinte. Antes do contrato, eu queria era que as pessoas atirassem lixo para o chão, para eu não perder o meu emprego, mas quando me apercebi que o contrato era seguro, tratei de por em prática o que achava: que educar é o melhor a fazer”.
Esta senhora agora continua a ter esporádicamente que limpar uma coisa ou outra que deixam pessoas fora do concelho, pois nas outras freguesias já conseguiu sensibilizar também para estas práticas e tem corrido tudo muito bem. Neste momento está já a planear uma acção ao nível do conselho.
-”Tal como eu, muitas pessoas se podem reformar e ter tempo para fazer aquilo que gostam!”
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10
2009
Hoje fui a um restaurante muito interessante. Está ligado a uma base de dados de pessoas que colocaram online os seus interesses e quando alguém faz uma marcação ou chega para uma refeição, se indicar que gostaria de conhecer alguém de uma determinada área profissional ou interesse particular, eles fazem várias propostas nesse sentido.
Há também o modo aleatório, que é uma espécie de lotaria de encontros sociais. Fui ontem lá e vi que com certeza já muita gente está a experimentar esta opção: uma freira conversava com uma adolescente gótica sobre o prazer que partilhavam em vestir preto e serem muito pálidas, uma criança de 8 anos conversava com um multimilioário, tentando perceber qual deles tinha a maior colecção de carrinhos e uma padeiro conversando com um entrega pizzas, excitados com as potencialidades na velocidade em solo urbano.
Esqueci-me do site do restaurante: entretanto ponho aqui.
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2009
Na sexta-feira, em conversa com uma amiga reflectiamos sobre a relação dos pais com os filhos e da dificuldade daqueles em assumirem uma responsabilidade plena pelo papel que tem que realizar.
Como sabemos, na nossa sociedade, os pais são muito encarados como o “ganha pão”, como o sustento dos filhos. Como é que isto pode influenciar negativamente as relações pais-filhos, entendo eu: a questão do sustento é uma questão difícil de lidar para a maior parte das pessoas, não tanto no dia-a-dia, que o sustento se vai fazendo, mas quando em confronto com o futuro. O cenário é de mudança tal, que ninguém sabe muito bem esperar do que vem aí.
A insegurança gerada por esta relação com o futuro e as imagem mentais que a alimentam fazem com que cada pessoa se desencontre mais consigo mesmo: “não faço o que quero porque não tenho dinheiro” é uma das razões mais invocadas. Desta forma, cada um, vai passando a vida “uma casa ao seu lado” como na canção de A Deolinda.
O desencontro consigo e o desencontro com os filhos.
O psicólogo norte-americano Carl Rogers afirma que há duas forças principais na espécie humana: o potencial de crescimento e a avaliação das experiências. Um diálogo funcionante entre os dois dá lugar a um ser humano actual e actualizante. Isto trocado por miúdos, o que é que dá?
Há já uma tendência das pessoas de se negarem a si próprios em função do sustento. Por exemplo: quero ser carpinteiro, mas vou para médico porque me dá o estilo de vida que quero. Esta auto-negação gera tensões internas que não permitem às pessoas funcionarem completamente. Cada um de nós já se sente mal com muitas das decisões que toma em direcção a essa segurança do sustento ou do estilo de vida.
Quando se é Pai, surge ainda mais essa sensação de sacrifício, de auto-anulação: “ai, eu agora não quero saber de mim, só quero saber dos meus filhos”. A energia negativa que se forma por não nos “ouvirmos” a nós próprios e às nossas necessidades origina muita tristeza, aborrecimentos e irritações. E quem são os culpados? Os filhos, é claro. E porquê? Porque os Pais fazem tudo por eles e eles nunca se comportam da maneira adequada. Não é?
O erro crasso: não cuidar bem de si mesmo.
É impossível que os outros à nossa volta estejam bem se nós não estivermos bem. São os nossos filhos que devem estar atentos às nossa necessidades práticas, psicológicas e emocionais. Talvez também devam, mas uma coisa é certa: quem tem que estar atento às suas necessidades é você mesm@. Cuide bem de si e automaticamente os seus filhos estarão melhor.
Para se ser bom pai e mãe, primeiro é preciso ser boa pessoa.
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2009
A cultura Portuguesa, como nós bem conhecemos, não tem um enorme respeito às regras. Somos ferteis em interpretações individuais e opiniões, por isso a nossa justiça corre tão devagar e isso sim, é o que é justo. A pena maior é portanto, ser-se julgado em Portugal.
Uma das regras que deveríamos cumprir a bem na nossa saúde é o atravessar da rua na passadeira. Isto acontece muitas vezes e deve ser reconhecido que os carros em Portugal respeitam quando as pessoas já estão em cima da passadeira a maior parte das vezes. Engraçado é o facto de quer condutores quer peões mostrarem que sabem estar errados em certos comportamentos. Por exemplo: se alguém passa a rua fora da passadeira, passa ligeiramente a correr. Do tipo “eu sei que estou a fazer errado e correr é a minha forma de pedir desculpa”. Os carros, por sua vez, quando já vêm mais que lançados e não conseguem parar a tempo, lançam a mão para cima e encolhem os ombros.
Isto, quando corre bem. Quando corre mal, lançam-se as mãos para cima na mesma, e botam-se as mãos à cabeça.
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10
2009
Deixo o repto a todos os engenheiros que comecem a pensar (se é que já não há) numa impressora de parede. Imaginem que se podia carregar uma impressora para imprimir fotos nas casas das pessoas. Em vez de ser só nas t-shirts e nos tapetes do rato, passariam a figurar as caras rosadas e gordinhos dos bebés, nas paredes da sala lá de casa.
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