Fim de dieta crudivora e frutívora

18 05 2010

Ha pouco mais de 30 dia atrás eu comecei uma experiência com a minha dieta. Há já algum tempo que lia o Steve Pavlina falar sobre raw food e tinha bastante curiosidade em experimentar. Andava a tentar imaginar como iria alguma vez começar uma dieta desse tipo e não estava a fazer sentido na minha cabeça. Importante foram as conversas com uma amiga dos mundos internetianos a Mona Lisa Até que comecei na segunda-feira de Páscoa, munido de várias maçãs, laranjas e outras frutas, parti em direcção a Viana do Castelo, onde iria celebrar o dia com familiares.

Ironia do destino, logo quando lá cheguei fui incumbido de fazer as travessas das carnes o que implicou cortar vários tipos e vários tipos de chouriça, que eu na verdade até costumo gostar bastante. A minha refeição nesse dia foi bastante à volta de saladas e acabei por comer também vegetais cozidos, embrulhados em todas aquelas gorduras das carnes. Passei o resto do dia a comer frutas. Isto no dia 5 de Abril

No dia seguinte, dia 6, comecei a fazer saladas, ainda comi um pão com queijo pelo meio. No dia 7 comecei a dieta mesmo pura. Procurei liquidificadores e comprei um por mais ou menos €25 que acabaria por substituir por outro melhor.

A dieta que comecei por adoptar foi a que a Mona Lisa tem no seu blog:

  • Começava o dia com um batido que no início incluia religiosamente pepino, aipo, espinafres, salsa e um pouco de água. Os batidos foram evoluindo e até cheguei a misturar banana. Também experimentei outros vegetais como incivias e couve branca Normalmente depois de fazer exercício.
  • Depois do banho comia uma boa salada de fruta com banana, morangos, maça, laranja. Era mais ou menos isto
  • Ao almoço uma salada, normalmente de cenoura, tomate, azeitonas, pimento, pepino e cebola, normalmente com sumo de laranja.
  • Ao lanche, mais fruta.
  • Ao jantar, mais uma salada em que adicionava também rúcula, cogumelos, bróculos e frutos secos, pinhões ou amêndoas

Cansaço

Passadas duas semanas e meia comecei a ficar cansado dos vegetais. Não era uma coisa que sentisse tanto a nível físico mas sim principalmente a nível mental. Estava a ficar cansado da rotina. Ainda descobri uns sites que ensinavam a criar mais alimentos crudívoros mas isso levanta um problema do qual irei falar a seguir.

Dedicação

É até possível fazer pão “vivo”. Pelo que li, pega-se em germen de trigo e amassa-se bem e depois mete-se no desidratador, que é um electrodoméstico mais que aconselhável a qualquer crudívoro. No entanto todas estas rotinas foram sentidas por mim como muito dispendiosas em termos de tempo. Mesmo que este desenvolvimento não fosse feito por mim (na criação de produtos germinados e utilização de um desidratador) este tipo de dieta, à partida já consume muito tempo. A preparação das saladas já consome algum e depois, comer uma salada grande envolve muita mastigação e tempo, não é própriamente o mesmo que comer uma sopa ou mastigar um arroz.

Mudança para uma dieta frutívora

Dadas as condicionantes constatadas, aconteceu de me ver investigar por uma nova dieta. Uma dieta em particular: frutívorismo. A ideia agradou-me bastante, pois adoro fruta. Segundo as indicações que li, para uma optimização da dieta as frutas devem ser agrupadas em grupos. Então a rotina era mais ou menos esta:

  • Início da manhã:

06:00-09:00

Sumo de 3-5 limões, ou mais, logo após o despertar. (a meio deixei esta prática, mais ao menos ao mesmo tempo que o meu limoeiro deixou de ter limões maduros)
Umas quantas fatias de melão

  • Durante a manhã

Costumava comer pepino, maçãs, peras e kiwis, mas há mais frutos na lista dos possíveis

  • Início da tarde.

Laranjas e mamão.

Tarde

A minha rotina para esta altura do dia era comer uns 5 tomates, uma manga e 3 ou 4 morangos

  • Final da tarde

Uvas

  • Noite

Tomates, manga e morangos novamente.

Depois fazendo umas modificações ao meu jeito com o passar do tempo

Resultados

Os resultados foram vários. Um dos resultados mais evidentes é o impacto que uma dieta destas pode ter nas pessoas que nos circundam. As reacções vão do choque, à preocupação, da estranheza ao desdém, portanto, quanto mais não fosse, como experiência antropológica já é suficientemente rica. A mudança do estado de consciente. Não tenho a menor dúvida que durante este período de experiência estive num estado alterado de consciência. Quem quiser apanhar uma moca engraçada é passar uns tempos só a comer fruta e vegetais. Agora percebo o papel das frutas no nosso estádio de consciência. A clareza mental é bastante evidente e o sentimento de paz também. Muito interessante. Em termos físicos também me senti muito bem. Joguei futebol muitas vezes ainda em dieta e não sinto que o meu desempenho tenha diminuido. Talvez na altura do remate não tivesse tanto aquela força explosiva, mas em termos de resistência senti-me bastante bem. Outro dos resultados interessantes a este nível é o do cheiro do meu corpo, ficou bastante mais à vegetal :)

Orçamento

Na dieta crudívora é menor, mas numa dieta frutívora o orçamento é muito grande. O paraíso de Adão e Eva ainda está bastante distante no que toca a orçamento. No mínimo €200 por mês numa alimentação deste tipo. E acho que estou a ser bastante benevolente.

Aspectos filosóficos e existênciais

Nos dias que correm este tipo de dietas estão associados a movimentos de uma consciencia diferente. Muitas vezes activistas ambientais e protectores dos direitos do animais. Posso dizer que durante este período percebi como é possível ter-se uma certa aversão à morte de animais mesmo que servido para a alimentação humana. A conclusão a que chego é que na realidade parece-me mais interessante um mundo que possa evitar o sofrimento animal. Há quem chegue até ao evitamento do sofrimento das plantas, no fundo o frutívorismo é um pouco isso. No entanto, como sei, há uma distância entre o real e o ideal e se na verdade podemos caminhar para um mundo assim, onde possa voltar a comer só fruta (o paraíso perdido, portanto), a realidade é que neste momento sou um animal omnívoro, mesmo que a minha lógica anatómica assim não o corrobore (o meu intestino, acidez da boca  e estômago e a minha dentição são de um frutívoro). Creio portanto, ao contrário desta experiência, que se as coisas puderem realmente ser assim, o serão mas de forma gradual e não artificial.

Conclusões

Foi uma experiência de grande crescimento. Pude desenvolver não só a consciência do meu corpo e da minha mente, mas também uma consciência maior do que significa ser humano em 2010. Somos cada vez mais máquina, cada vez mais indústria. Bem afastados do paraíso original do jardim com as frutas para colher. Será realmente assim? Ou apenas o jardim mudou de aspecto e para colher as frutas que existem agora seja tão natural como outrora mas com procedimentos ligeiramente diferentes. De certeza que Adão e Eva também teriam do que se queixar.

- Oh Adão, já viste que seca não podermos comer maçãs?



Mini-maratona do Porto

14 11 2009

No domingo passado um amigo levou-me para percorrer as ruas do Porto. Embora não tenha feito os 14km (optei pelos 5 km), foi uma experiência muito interessante. É uma bela forma de começar o domingo de manhã.

É muito agradável também ver tanta gente a participar. Muito melhor que ouvir qualquer palestra sobre saúde é ver todas aquelas pessoas a correr ou a caminhar.

Meia Maratona do Douro 2

Por estas e por outras razões, decidi que hei-de fazer uma maratona, pelo menos uma vez na vida. Estou a organizar a minha vida de forma a poder dispor do meu tempo como eu bem quiser. E portanto, quando depender só da minha vontade, irei (continuar a) correr até chegar a este objectivo.

É a isto que eu chamo ( e não sou o único) investir na saúde.



De volta ao gomo de laranja.

22 10 2009

E pronto, chegamos novamente ao gomo de laranja. Tudo aconteceu num pequeno café de vila do conde que se recusou a servir mais sumos em latas ou pacotes, era muito lixo, dizia David Lemos, um ecologista ferrenho. Apenas faziam sumos de laranja natural e de outras frutas. Uma ocasião David reparou “então a máquina também não vai ser lixo dentro de pouco tempo?”. A partir daí, como o próprio refere “comecei apenas a servir a fruta, comprada a produtores locais.
O apreço dos produtores locais.
O apreço dos produtores locais por este projecto tem sido mais do que evidente: “Então andavam a vender embalagens de sumo mais pequenos que uma laranja, mais valia venderem logo as laranjas” diz António Crespim, dono de um extenso pomar na freguesia de Macieira.
Neste pequeno “café verde”, os produtores têm muitas vezes a oportunidade de explicarem as técnicas de produção que utilizam e os investimentos que têm feito com as vendas da fruta, para que os consumidores tenham possibilidade de decidir de forma ainda mais informada.
As condições impostas
Para vender, este pequeno estabelecimento, exige aos produtores que venham reaver as embalagens (vulgo casca da fruta). “Como se isso fosse um problema” diz António Crespim, ” O que não dou aos animais, ponho no compostor e ainda vendo o composto à Lipor e faço um bom dinheiro”
Tudo começou num pequeno café e está já a alargar-se a outros cafés da região. Em breve trarei mais notícias sobre isto.



Ervas daninhas seguida de corrida à beira-rio

22 10 2009

Hoje tirei ervas daninhas. E não eram poucas. Pouco habituado que estou a isso, fiquei com um pouco de uma dor momentânea nas costas que me passou. É um óptimo exercício.
De seguida fui correr aqui em Esposende pela beira rio, mais um inícios de flexões, abdominais e alongamentos. Acho que hoje dei umas boas prendas à minha saúde.



Tai Chi Chuan no jardim a tirar ervas daninhas

22 10 2009

Pareceu-me uma boa disciplina a desenvolver: posições de tai chi chuan a tirar ervas daninhas.
Entretanto coloco umas fotos representativas desta nova arte marcial, decorrente do encontro de portugal com o oriente. Esta é apenas uma das imensas possibilidades de relação entre a nossa história agrícola e as práticas de saúde física milenares orientais.