As angústias de um protoblogger
13 04 2010Há já muito tempo que tenho desejado escrever regularmente no meu blog, e embora isto fosse algo que regularmente me aparecia como tarefa a pôr em prática, a verdade é que meses e meses se passavam sem que nada fosse escrito. Espero que de alguma forma possam interessar estas angústias e dificuldades pelas quais tenho passado.
- O apreço dos outros
Uma das conclusões a que cheguei há bem pouco tempo, é a de que uma parte de mim pensava na escrita do blog como forma, não só de auto-promoção, como de conquista do apreço dos outros. No meu caso eu já era exigente o suficiente no que toca à a apresentações públicas da apresentação da minha pessoa. Somando a isto a exigência imaginada dos outros imaginados, a consequência era um inevitável bloqueio, principalmente quando surgia alguma dúvida sobre se o trabalho (texto) que estava a construir seria avaliado de forma positiva pelos outros que o liam.
Da mesma forma isto retirava o foco de dentro de mim para fora de mim. Em vez de estar a considerar se o texto fazia sentido para mim (quer do ponto de vista de construção quer do ponto de vista do propósito porque o realizo) preocupava-me infrutiferamente à volta da questão da compreensão dos outros e nesse caso, o que pensariam da pessoa que o escreveu, isto é, eu.
- Antecipação de problemas
Outro dos aspectos que tem dificultado o real acontecimento de passar a texto as minhas experiências é a constante antecipação do que poderá correr mal. Será que vou desistir a meio e logo à partida este meu esforço é descabido? Será que vou ter dificuldade em apresentar de forma integrada todas as dimensões da minha experiência e logo isto será à partida apenas mais uma salsada de intenções em que ninguém se percebe? Depois, para cada um deste problemas, tentava resolvê-los de forma únicamente hipotética, sem recurso a uma experiência real. Depois, como dificilmente se resolvem as coisas desta forma e eu gostaria de começar a escrever a sério apenas quando tivesse as questões todas resolvidas ( como é que se faz isto?), acabava sempre por ir protelando e o resultado prático era próximo de nulo. Os problemas resolvem-se mais facilmente em movimento, não parado e hipoteticamente. Os “ses” e as hipóteses são em maior número do que aquilo que efectivamente acontece. Dá menos trabalho ir resolvendo o que aparece do que resolver o “E se acontecer assim, como é que eu faço?”. Uma bela resposta a isto: logo se vê…
- Dicas externas e blogs de referência
Na verdade nem sequer tenho lido muito sobre isto no momento. Já li algumas dicas de como se deve gerir um blog e agora sigo em particular um blog norte-americano em desenvolvimento pessoal: www.stevepavlina.com. Isto foi o suficiente para me por a desejar fazer algo de parecido ou igual. Quer no esforço que pensei ser necessário dispender para seguir os passos e recomendações para a criação de um bom blog, quer na colagem que pretendia fazer ao blog do Steve Pavlina. Cheguei até a pensar pegar nos artigos do Steve e de forma pessoalizada dar-lhes uma tradução para o português com uns acrescentos da minha parte. Estava a propor-me portanto a ser o tradutor do Steve Pavlina. Isto seria admitir que não considero que tenha algo de particular a dizer ao mundo e que, o melhor a que me poderia propor, seria trazer para a língua portuguesa um trabalho que acho largamente interessante e meritório.
Neste momento concluo que estou disposto a arriscar a ser eu mesmo em termos de escrita. O que provavelmente significa que não haverá escrita
- Talvez eu até nem seja um blogger
Sem querer, a terminação do parágrafo anterior encaixou maravilhosamente. Possivelmente uma das maiores razões para eu não me ter posto a escrever a sério é a seguinte: quanto mais cedo me puser a escrever, mais cedo me posso aperceber que afinal isto era uma ilusão. Será que não quero escrever porque me vejo de alguma forma retirar algum status social desta actividade? Ao dedicar-me seriamente a esta jornada poderei perceber que afinal isto não é para mim e assim retirar um domínio da tão por mim apreciada zona do “Eu podia ser”. O facto de pensar nestes termos e assumir frontalmente a possibilidade de eu ser uma verdadeira nulidade no que toca a fazer isto, dá-me a liberdade que necessito de escrever sem pressão.
- Ninguém vai ler, de qualquer forma…
Outra das dificuldades que tenho é de imaginar realmente que este blog será lido por muita gente. Se bem que é verdade que desejo que assim aconteça, há alguns receios que me fazem recuar face a essa hipotética realidade. Como é isso de ter pessoas a seguirem o que escrevo, que tipo de responsabilidade me traz, que quantidade de privacidade me pode tirar? Portanto, ao mesmo tempo desejo ser lido e ao mesmo tempo reconheço o receio que existe em mim de que isso efectivamente aconteça. Sei bem o tipo de consequências que esta indefinição minha pode ter na realidade que os acontecimentos assumem. Esta dificuldade poderia ser colocada de outra forma: “Estou a escrever para quem?”. Quem serão as pessoas que poderão estar interessadas em ler o que tenho para escrever? Mais uma vez, a resposta para esta questão é bastante pragmática: o tempo o dirá…
- Questões técnicas
As questões técnicas assustam-me um bocado, porque em termos de internet, sempre precisei de amigos para mas resolverem. Vou tentando perceber um pouco mais e até já montei um blog sozinho, mas conheço bem as minhas grandes limitações nessa área. Mais um problema antecipado…
- O que tenho eu para contribuir afinal?
Esta limitação assume duas formas. Em primeiro lugar, o esforço de descobrir de que forma poderá a minha escrita contribuir para um mundo mais parecido com aquilo que eu desejo que ele seja. De tudo aquilo que compõe a minha experiência, o que e que será realmente importante? O que é que é digno de nota, de aparecer, de se tornar visível aos olhos dos outros e que não se torne um peso ou uma perda de tempo. Uma questão ainda mais fundamental e geradora de algum constrangimento é a seguinte: será que, em absoluto, eu tenho alguma contribuição interessante a dar ao mundo através da minha escrita?
No caso da resposta ao que temos atrás ser positiva, coloca-se ainda uma outra angústia. Conhecendo-me eu como um ser tão multi-dimensional, será que este blog não ficaria ao fim de pouco tempo uma verdadeira salsada onde ninguém realmente consegue orientar-se?
- E agora?
Estas e outras questões, sentimentos e reservas, fazem com que a experiência de ver construído um trabalho consistente deste tipo na internet, me venha sendo negado. Na verdade não estaria preparado, na realidade. Embora não tenha a certeza de que estarei realmente preparado tenho a firme convicção que estou muito melhor preparado do que noutras alturas e um bom exemplo disso é este primeiro post que volto a escrever depois de uma ausência bastante prolongada.
A fabulosa e libertadora conclusão a que chego é que, em vez de tentar resolver comigo mesmo todas estas questões antes de começar nisto a sério, assumo á partida que este será um óptimo trajecto para resolver todas essas e outras questões e chegar do outro lado mais enriquecido. E pode acontecer, se ainda não existe, de este ser o primeiro blog com uma taxa de actualização de um post/ ano.
Obrigado por teres lido isto





