Humoristas ajudam professores

22 10 2009

Ontem fui dar a primeira aula de psicologia do desenvolvimento e aprendizagem,  que estou a dar no Instituto Piaget em Gaia. Convidei o meu amigo Nuno Pinto a ser responsável por um “início de aula fantasma” entre dizer que a bibliografia iria ser em Alemão e já ter agendada uma viagem ao Zoo de Lisboa com o objectivo de perceber os macacos, nossos ancestrais, para poder conhecer o homem, os alunos perguntavam-se uns aos outros “quem é este cromo?”a. Habituados que estamos às apresentações em conjunto, isto mereceu-lhe  uma salva de palmas dos alunos que riam, misto de boquiabertos e divertidos. Isto deu logo o mote para uma aula descontraída que entre apresentações e matéria teve sempre o humor bem destacado. Posso arriscar dizer que todos os alunos gostaram bastante do que estiveram a fazer e saíram da interessados, relaxados e a pensar “quero mais”.

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A minha próxima acção é telefonar para as produções fictícias e propor-lhes que façam cursos de humor para professores e qui ça, terem um papel preponderante na elaboração dos manuais escolares. Vá lá Produções Fictícias, depois pagam-me um jantar ;)

Já agora, alguém sabe de mais alguma empresa de humor em Portugal?



O discurso motivacional do Rocky

22 10 2009

O Rocky sabe do que fala. É uma desculpa dos cobardes dizer que não está onde queria estar por causa deste, daquele ou daquela. Nós estamos onde queremos estar, é só preciso aceitar o mundo como é a cada momento e fazer o melhor possível com isso. O melhor possível de nós mesmos. E para isso, só há um remédio: acreditarmos em nós mesmos.



Como falar em público

22 10 2009

Estes dias estive com um amigo meu que é professor universitário e me confessou que estava um pouco ansioso. Tem pela frente algumas situações de exposição pública em breve e sente-se confrontado com uma ansiedade que o assalta. Na verdade, como é fácil de compreender, não é a própria exposição pública no acto de fazer a apresentação que é o problema, mas sim as crenças que sustenta (no sentido de alimentar :) ).
Falar em público sempre foi uma coisa muito natural para mim. Desde criança na  apresentação de espectáculos que fiz até aos dias de hoje, bem como nas formações ou nas aulas que dou presentemente. Para perceber melhor esta questão fiz algumas investigações que me levaram ao site do Alex Ryan www.10publicspeakingtips.com . Fiz o download do ebook como base para confrontar com a minha experiência.

Ponto 1 – Falar em público não é inerentemente stressante.
Como tudo na vida, o que é stressante não é a situação em que nos encontramos, mas a percepção que as nossas crenças têm da mesma. Isto explica o facto de milhares de seres humanos falarem em público sem qualquer problema, e até mesmo quem tem esta dificuldade, tê-la apenas para situações mais específicas. Por isso, um dos trabalhos fundamentais será o trabalho das crenças, algumas das quais serão abordadas a seguir. Eu sei perfeitamente isto, porque a maior parte das vezes senti-me bem falando em público, mas sei também que houve outras em que me senti mais constrangido. Darei alguns exemplos mais à frente.

Ponto 2 – Não é preciso ser brilhante ou perfeito para ter sucesso
Quando imaginamos o orador público de sucesso podemos imaginar uma pessoa simpática, espirituosa e inteligente e pensar “Eu nunca conseguirei ser assim”. Na verdade não é disso que se trata, e uma audiência não está à espera disto. Na verdade, imaginem-se como espectadores e de certeza não se importam que a pessoa se esqueça do que ia a dizer, se engane em alguma afirmação ou fique com a língua enrolada.
A parte importante de uma comunicação é o valor que estamos a passar para as outras pessoas. Na minha experiência, o meu interesse sempre foi sair de uma comunicação mais enriquecido, com ideias novas e novas ferramentas para aplicar na minha vida. Não fico a pensar “Que ideias fenomenais que me passou, mas poderia ter sido um pouco mais simpático”.
O essencial no acto de falar em público é: dar à audiência algo de valor. Se as pessoas se forem embora depois de falar com algo de valor, irão extremamente contentes e na verdade, é só isso que interessa.

Ponto 3 – Tudo o que é preciso são 2 ou 3 pontos
Não vai transmitir uma montanha de factos à sua audiência. Muitos estudos revelam que as pessoas não retêm a maior parte dos factos. Por vezes basta concentrar-se num único ponto. As pessoas que optam por controlar cada mínimo pormenor de uma apresentação, muitas vezes ficam exaustas antes da mesma. Com tantos aspectos para controlar, quando falta um, o sentimento de ansiedade gerado e os pensamentos associados podem fazer descarrilar todo o comboio.
Lembra-te de que tudo o que a tua audiência quer é sair da palestra com dois ou três pontos que façam a diferença para eles. Se estruturares as comunicações para oferecer este resultado, podes evitar um monte de complexidade que não é necessária. Isto faz a tarefa de falar em público muito mais fácil e também muito mais interessante.

Ponto 4 – Também precisas de um propósito que seja adequado à tarefa
Este princípio é muito importante, por isso é importante prestar atenção. Muitas vezes as pessoas não estão a operar de acordo com o propósito que deviam, mas sim com propósitos inconscientes que podem gerar bastante stress e ansiedade.
Este é um exemplo da causa mais representativa do stress de falar em público: muitas vezes quando eu apresentava um espectáculo, em particular da Tuna Universitária do Minho, um dos principais objectivos era “agradar à Tuna”. Ora, como podem perceber, agradar à Tuna e ao público ao mesmo tempo, torna-se uma tarefa impossível de realizar com sucesso. Quem consegue agradar a 100% das suas plateias?
A verdade sobre falar em público é independentemente do teu bom trabalho, a grande maioria das vezes alguém te vai desaprovar. Uma plateia é feita de opiniões, julgamentos e reacções diversas. É preciso lembrar que o importante aqui é dar valor à audiência. A palavra operativa é “dar” e não “receber”. A parte do receber virá como consequência natural do dar.
Como exercício, Alex Ryan propõe que nos imaginemos a dar notas de €500 ao público, se houver alguém que não aceite, está no seu direito ;)

Ponto 5 – A melhor maneira de ter sucesso é não se considerar um orador
Muitos de nós tem uma expectativa irrealista do que é um bom orador público. Assumimos que é preciso trabalhar muito para conseguir trazer à superfície qualidades que não possuimos no momento presente. Como consequência disto, tentamos desesperadamente copiar as características destas pessoas que nos poderiam tornar um bom orador. Por outras palavras estamos a tentar ser outra coisa que não nós mesmos. Estamos a tentar ser aquilo que acreditamos que um bom orador deve ser.
A verdade sobre falar em público é que as pessoas que o fizeram bem deram-se permissão para fazer exactamente o oposto: serem eles próprios. E para sua surpresa, descobriram que poderia ser muito divertido fazer uma coisa que muitas pessoas acham aterradora.
O segredo do seu sucesso, portanto, foi que eles não tentaram ser oradores.  Tu e eu podemos fazer exactamente a mesma coisa. Podemos estar à frente de outras pessoas e sermos nós mesmos.
Eu adoro falar em público, precisamente porque sinto que estou a dar tudo de mim (embora algumas vezes não o tenha feito). Não me sinto obrigado a ser o que quer que seja. Há uma ideia que os apresentadores de tunas tem que ser pessoas engraçadas e fazer os outros rir. Quando me senti obrigado a corresponder a esta expectativa isto corria furado. Agora sinto-me livre para ser quem sou e as coisas correm muito mais naturalmente, independentemente se nesse dia serei engraçado, ou queixoso ou mais formal. Desta forma o meu entusiasmo pode passar por qualquer um destes filtros, não se perdendo na tentativa de tentar ser algo que não sou.
Quando se fica realmente bom a falar em frente a outras pessoas muitas vezes até se brinca com o facto de não estar bem preparado e confiar no nosso poder de improviso.
Da próxima vez que vires alguém a falar em público que gostes, não penses “gostava de ser como aquela pessoa, de ter a confiança daquela pessoa para poder falar bem em público”. O que tens que pensar é: “Eu vou ser capaz de transmitir coisas de valor aos outros, sendo eu mesmo. A confiança e destreza, será uma consequência disto”

Ponto 6-  A humildade e o humor podem levar-te longe
O propósito do humor, não é mais uma vez, fazer com que as pessoas nos achem engraçados, mas dar genuinamente um presente humorístico a quem nos ouve. Em relação à humildade, refere-se a estarmos em frentes aos outros e conseguirmos partilhar as nossas partes supostamente menos apreciáveis como erros, gestos menos bonitos ou ignorância. Isto cria um clima de confiança onde as pessoas podem aceder também às suas partes menos boas.
Ser humilde na frente dos outros torna as pessoas mais credíveis e paradoxalmente mais respeitáveis. Quando somos humildes, passamos a fazer parte da plateia. Isto coloca um tom de auto-aceitação no qual a plateia se pode rever e que traz um bom sentimento associado à comunicação. Isto não quer dizer que se finja ser humilde ( a plateia vai perceber e não vai gostar), mas antes alertar para um facto normalmente desconhecido: não precisamos construir fachada para ter sucesso, podemos ser humildes à vontade desde que isto seja uma manifestação autêntica da nossa pessoa.
Muitas vezes o humor e a humildade podem ser juntos com um belo efeito. Contares histórias humorísticas acerca de ti mesmo, aproveitando para contar alguns falhanços pode ser bastante engraçado e esclarecedor.
Por exemplo, se ficares nervoso quando inicias uma comunicação em público ou se o ficas a meio da comunicação, não hesites em partilha-o com a audiência. Se honesto e humilde. Pede licença e tira uns minutos para te recompor.
Podes também fazer piada com o teu nervosismo do tipo “Estou tão nervoso que pareço um vibromassajador facial” (provavelmente vou tirar esta piada, pois há piadas melhores :) ) ou então “tenho que me portar direitinho se não não me dão boa nota”.

Ponto 7 – Quando falas em público nada de realmente mau pode acontecer
Uma das coisas que alimenta o medo de falar em público é o medo que as pessoas têm de que alguma coisa terrivel ou humilhante lhes aconteça.
Perguntas como: E seu eu me esquecer de tudo e ficar ali simplesmente calado em frente à audiência? E se a plateia me odeia e começa a atirar-me coisas? E se todos se vão embora depois dos primeiros 10 minutos? E se começam logo com perguntas difíceis mal eu acabe? E se alguém na audiência tenta virar o grupo contra mim?
Uma das estratégias que tirei da psicologia da narrativa e que é usada no resolver de fobias a crianças é o contínuo questionar destes aliados do medo com a questão “E depois?” quando um daqueles pensamentos nos surgem na cabeça.
Um pensamento de resposta que este autor diz que é eficaz é o seguinte: “tudo o que acontecer eu vou poder usar em minha vantagem”. Por exemplo, se as pessoas se começarem a levantar, posso perguntar por feedback. Saber se fui ofensivo com elas. Se por acaso pensavam que estariam numa palestra diferente. Independentemente do que estas pessoas possam referir, lidar com elas de forma humilde e honesta vai facilitar a comunicação com a audiência remanescente. Dá-me também informação de como estou a afectar as pessoas e tirar daí correcções que estão a ser precisas.
Se assumires que nada de errado pode acontecer numa sessão, vais ficar espantado com a espiral positiva em que a tua presença consciente permitiu que pudesses agir de acordo com esta crença, o que ainda reforça mais a crença. Nada de mal pode acontecer, tudo pode ser usado em teu benefício. É sempre a crescer.

Ponto 8 – Não tens que controlar o comportamento da tua audiência
Há algumas coisas que precisas de controlar: os teus pensamentos, a tua preparação, os teus arranjos áudio-visuais, a disposição da sala. Mas uma coisa que não vais controlar é o comportamento da audiência. Se alguém está a conversar para o vizinho, a ler o jornal ou a adormecer, deixa estar. Se parecer que não estão atentos, não faz mal. A não ser que alguém esteja realmente a ser disruptivo, não há nada que realmente possas fazer.
Pensar que tens que mudar ou controlar a audiência é uma causa escondida de stress em muitas áreas da vida. Isto é tão verdade para um relacionamento com um grupo como é na relação com os teus amigos ou família.

Ponto 9 – Em geral, quanto mais te preparas, pior vai sair
A preparação é importante para qualquer apresentação. Agora, como te preparas e quanto tempo despendes nesta tarefa, são completamente assuntos diferentes. A maior parte dos erros que já falamos vão interferir na preparação que as pessoas fazem para a comunicação em público. Se estiveres com o foco(propósito) errado, se tentares ser perfeito, se quiseres que as pessoas te aplaudam a todo o momento, se acreditares que alguma coisa de mal possa acontecer, então é provável que te dirijas como um tolo para uma preparação excessiva.
Por outro lado, se conheceres bem o tema da tua comunicação, se já falaste sobre ele várias vezes antes, talvez só precises de uns minutos para preparar. Basta reveres 2 ou 3 pontos chave e estás pronto para andar.
Um ritual de preparação excessiva significa que ou não conheces bem o assunto, ou não sentes confiança para falar em público. Para a primeira razão, a solução é estudar mais, para a segunda, vais ter que desenvolver confiança na tua habilidade natural para falar em público. A única forma de conseguir isto continuares a expor-te a estas situações.
Vai à procura de oportunidades de falar em público acerca do teu assunto. Oferece-te para falar de borla ou por uma pequena quantia, suficiente apenas para te cobrir as despesas. Se tiveres algo de valor para dizer aos outros, continua a aparecer em público e a oferece-lo. Em pouco tempo, vais ganhar confiança. Vais começar também a respeitar o orador/ comunicador dentro de ti.

Ponto 10 – A tua audiência quer realmente que tu sejas bem sucedido
A maior parte das pessoas tem medo de falar em público, tal como tu. Eles conhecem o risco de embaraço, humilhação e falhanço que existe quando alguém se apresenta em público. Eles admiram a tua coragem e vão apreciar o teu esforço, independentemente do que acontecer.
Isto significa que a maior parte das audiências realmente desculpam. Enquanto que um erro ou uma engasgadela podem ser muito perturbadores para ti, não o são realmente para a tua audiência. Os julgamentos e apreciações da parte deles, geralmente serão muito mais relaxados que os teus. É importante relembrar este ponto, mesmo se tu achaste que o teu desempenho foi pobre.

Revisão das 10 causas possíveis para o stress de falar em público
1. Pensar que falar em público é inerentemente stressante.
2. Pensar que precisas de ser perfeito ou brilhante para te sucesso.
3. Tentar passar um máximo de informação ou cobrir demasiados pontos numa apresentação.
4. Ter o propósito errado na cabeça (receber em vez de dar/contribuir).
5. Tentar agradar a toda a gente (isto é irreal)
6. Tentar copiar outros oradores (muito difícil) em vez de simplesmente seres tu mesmo (muito fácil).
7. Tentar esconder que se é e não usar de humildade.
8. Ter medo de resultados negativos (eles quase nunca se dão e quando isto acontece, podes sempre usa-los para tua vantagem)
9. Tentar controlar as coisas erradas (o comportamento da audiência, por exemplo).
10. Passar demasiado tempo a preparares-te (em vez de desenvolver confiança e confiar na tua capacidade natural para ter sucesso)
11. Pensar que a audiência será tão crítica do teu desempenho como tu.

Revisão dos 10 princípios a sempre ter em mente
1. Falar em público não é inerentemente stressante.
2. Não é preciso ser brilhante ou perfeito para ter sucesso
3. Tudo o que é preciso são 2 ou 3 pontos
4. Também precisas de um propósito que seja adequado à tarefa
5. A melhor maneira de ter sucesso é não se considerar um orador público
6. A humildade e o humor podem levar-te longe
7. Quando falas em público nada de realmente mau pode acontecer
8. Não tens que controlar o comportamento da tua audiência
9. Em geral, quanto mais te preparas, pior vai sair
10. A tua audiência quer realmente que tu sejas bem sucedido
Ter estes aspectos em mente é o suficiente para estar no caminho certo. Agora o importante é praticar, praticar e praticar e em pouco tempo vais ver que estás um orador confiante.
Lembra-te, se estiveres em público para fazer uma comunicação e ficares stressado é porque estás enganado e te esqueces-te da verdade sobre falar em público. Lê este post de novo se isso te acontecer. Percebe o que não funcionou e depois, volta a praticar. Pode demorar um pouco mas os ganhos a longo prazo são impressionantes.
Pronto para avançar?



Como fazer um vídeo para um blog

22 10 2009

Estes dias vi alguns vídeos que me entusiasmaram a fazer vídeos. É isso mesmo!
A meio, reparei que estava simplesmente a ver e já a sonhar comprar microfones porreiros e na verdade ainda não tinha dado o primeiro passo: fazer um vídeo. Decidi então fazer um vídeo no meu macbook com o imovie. Não sei porquê, para além do mau som, devido ao eco, que refiro no vídeo, a captura ficou também bastante má, faltando algumas partes do movimento. Para quem quer ver uma evolução é do melhor, pois não podia estar pior. Por isso, só é possível evoluir!
Cá está ele:



Gestão do dinheiro e gestão da educação – estratégias disfuncionais.

22 10 2009

O endividamento das famílias portuguesas é algo de extremamente preocupante. É apenas o segundo mais elevado da Europa.
A ansiedade gerada em volta o consumo e a incapacidade de decisão a longo prazo por parte das das famílias faz com que estas se deixem levar por compras e gastos completamente desadequados das suas possibilidades em sintonia com a expressão “como se não houvesse amanhã”. Este comportamento faria antecipar, talvez, que as famílias portuguesas, estando menos preocupadas com o futuro, viveriam de forma mais plena, disfrutando um pouco mais do momento presente. Nada mais equívocado.
Consumo e condicionamento
Todo o consumo (pelo menos na forma contemporânea de consumir) assenta no condicionamento da mente. Em palavras simples, o que a publicidade nos passa é o seguinte: se consumires isto, vais ter o resultado que queres, que é aquilo. Este modelo económico integra à partida duas falácias: a primeira é de que efectivamente a necessidade expressa vai ser saciada pelo consumo deste ou daquele produto; a segunda é a de que vai ficar tudo bem, quando na verdade sabemos que mais e mais necessidades continuarão a ser geradas para dar movimento ao consumo.
Por isto afirmo que quando alguém consome algo que realisticamente (do ponto de vista de sobrevivência e segurança não necessitaria) tem associado um sentimento de que vai ficar, de alguma forma, melhor com aquele consumo. Daí que não esteja a disfrutar do presente, aproveitando o bem recentemente adquirido, mas a antecipar os benefícios “comprei este carro, agora é que eu vou ser respeitado.
Os créditos e o sacríficio do futuro
Ao fazer créditos de forma a deixar-me ficar completamente limitado nas minhas opções financeiras, estou, como se costuma dizer, a hipotecar o meu futuro. Na verdade, não estou a ser meu amigo e é provável que me venha a rogar pragas futuramente e a minha relação comigo mesmo se venha a deteriorar. Um dos mecanismos de pensamento que permite isto é o “não quero saber” ou o “que se lixe”. É o que se pode chamar de “preguiça mental” e que como podem antecipar, traz problemas futuros ainda mais difíceis de resolver, quando poderiam ter sido cortados pela raíz “não compro, porque isto me vai por em maus lençois”. O essencial do crédito para consumo é que estamos a vender o nosso futuro e não falta quem o queira comprar.
A educação, a televisão e as prioridades trocadas
Agora lembro-me de uma letra dos xutos “Putos que crescem sem se ver, basta pô-los em frente à televisão!”. É isto que toda uma geração está a fazer. A hipoteca do futuro dos filhos. A televisão é a máquina mais poderosa de condicionamento ao consumo que alguma vez se viu. Assistam com os vossos filhos toda uma manhã a ver desenhos animados na televisão e vejam a quantidade de propaganda consumista que vos vai entrar pelos olhos a dentro.
Crianças a ser educadas em frente à educação é futuro hipotecado. Eles vão continuar a pedir-vos para comprarem aquilo que lhes disseram que os vai deixar mais felizes, para se desiludirem e voltarem a iludir-se com outra coisa qualquer. E no futuro que é que eles aprenderam a ser? Apenas robots: trabalhos na escola, aprendizagem mecanizada, condicionamento televisivo e consumo. No futuro o trabalho na escola é substituido por trabalho na fábrica e o ciclo continua. Terão possibilidade de decidir? Sempre, mas sem dúvida diminuida porque estão sem ferramentas para encarar o mundo, tem uma mente condicionada e pouco habituada a pensar por ela própria.
Achegas finais
Um tabuleiro de xadrez custa €10 e tem possibilidades infinitas de ocupação e desenvolvimento. Uma bola é igual, dando-lhes espaço para brincar. Uma flauta permite milhões de melodias, conversar é de borla, dançar também, ouvir música também é quase, a praia é de borla.
O tempo, tenha tempo para os seus filhos, tenha a cabeça livre para os seus filhos. Esteja realmente com eles. Está na hora de quebrar o ciclo. É agora.



Hipermercados -vendas de intangíveis ganham a corrida

22 10 2009

Segundo as estatísticas oficiais do Instituto Nacional de Estatística, a venda de bens intangíveis ultrapassaram, no primeiro trimestre do corrente ano, a venda de bens tangíveis nos hipermercados
Tudo começou com a venda de experiências como spa, turismo rural, etc. que se vendiam em algumas superfícies comerciais mais vanguardistas. As grandes superfícies comerciais identificaram rapidamente a oportunidade e começaram a massificação da venda deste tipo de experiências.
Os bens intangíveis como desenvolvimento pessoal, psicoterapia, acompanhamento de estudo para os filhos, speeddating e desportos de aventura foram os mais representativos. Seria difícil de prever, mas actualmente, as prateleiras com venda de serviços e experiências ocupam, neste momento, a maior parte das superfícies comerciais de massas e a tendência é para aumentar.
Os empresários afirmam que são produtos mais interessantes, pois não passam de data, são mais ecológicos e contribuem para o desenvolvimento da comunidade. As superfícies poupam, portanto nas perdas relacionadas com validades e qualidade dos artigos. Este tipo de venda, fomenta também o desenvolvimento local, pois está sempre integrados com empresas da região. “Podemos ter bananas do Chile, mas não podemos ter uma experiência de desenvolvimento pessoal no Chile, quer dizer, podemos, mas é tão cara que dificilmente iríamos vender.
E você, qual foi a última experiência que comprou num hipermercado?



De volta ao gomo de laranja.

22 10 2009

E pronto, chegamos novamente ao gomo de laranja. Tudo aconteceu num pequeno café de vila do conde que se recusou a servir mais sumos em latas ou pacotes, era muito lixo, dizia David Lemos, um ecologista ferrenho. Apenas faziam sumos de laranja natural e de outras frutas. Uma ocasião David reparou “então a máquina também não vai ser lixo dentro de pouco tempo?”. A partir daí, como o próprio refere “comecei apenas a servir a fruta, comprada a produtores locais.
O apreço dos produtores locais.
O apreço dos produtores locais por este projecto tem sido mais do que evidente: “Então andavam a vender embalagens de sumo mais pequenos que uma laranja, mais valia venderem logo as laranjas” diz António Crespim, dono de um extenso pomar na freguesia de Macieira.
Neste pequeno “café verde”, os produtores têm muitas vezes a oportunidade de explicarem as técnicas de produção que utilizam e os investimentos que têm feito com as vendas da fruta, para que os consumidores tenham possibilidade de decidir de forma ainda mais informada.
As condições impostas
Para vender, este pequeno estabelecimento, exige aos produtores que venham reaver as embalagens (vulgo casca da fruta). “Como se isso fosse um problema” diz António Crespim, ” O que não dou aos animais, ponho no compostor e ainda vendo o composto à Lipor e faço um bom dinheiro”
Tudo começou num pequeno café e está já a alargar-se a outros cafés da região. Em breve trarei mais notícias sobre isto.



Barcos de pesca – turismo de experiência nas Caxinas

22 10 2009

Nas Caxinas, Vila do Conde, essa micro-cultura portuguesa, funciona desde há muitos anos um peculiar arranjo entre pesca e turismo. Tudo começou por uma empresa de turismo que decidiu vender a clientes ingleses a experiência de pescar no litoral norte português.
Os pescadores gostaram da experiência e sempre eram mais uns trocos a entrar. Entretanto aperceberam-se de alguns problemas que surgiram: os ingleses não sabiam nada de pesca nem de como se comportarem num barco e os pescadores nada percebiam de Inglês.
A escola de pescas decidiu resolver este problema: cedeu os espaços para que pudessem professores de inglês credenciados dar aulas aos pescadores e famílias, e também que os turistas tivessem aulas prévias de pesca, mais leves no caso de quererem a experiência de uma traineirazinha, mais exigentes se quisessem ir para a pesca do arrasto ou para a pesca do bacalhau.
Neste momento o projecto tem já 4 anos e para além dos serviços turísticos enunciados (podem-se ver agora restaurantes bem equipados dentro de barcos de pesca) há um desenvolvimento de toda a economia da região, por exemplo com várias mulheres que ensinam as turistas a fazer os xailes tradicionais desta região.



Edição de imagens em lojas pequenas de impressão.

22 10 2009

Na sexta-feira estava à espera para imprimir uns cartazes para uma colónia de férias que estou a organizar. Uma senhora queria imprimir uma fotografia que tirou para um espectáculo de crianças do jardim de infância. No entanto a foto estava escura numa parte que era suposto ser branca. Eu ofereci-me para no meu portátil, editar a imagem em photoshop.
Isto deu-me uma ideia. Quem trabalha em design e está a iniciar carreira, pode ir para as lojas pequenas de impressão, ficar a trabalhar numa mesa pequenina que lhe cedam ou aluguem e vai criando clientela que apareça e não saiba editar as imagens. Depois vai rodando pelas lojas e pode até aceitar serviços dos próprios donos das lojas, pagando-lhes comissões.
Quem ajuda a desenvolver esta ideia?



Limpadora de ruas atinje a reforma em 2 anos e meio

22 10 2009

Esta varredora de ruas de S. Simão da Junqueira, em Vila do Conde, pode considerar-se praticamente reformada, neste momento o trabalho que tem é mínimo. A Câmara Municipal da Junqueira, em concertação com a Junta de Freguesia da Junqueira, propuseram um modelo que pode revolucionar o mundo ocidental.
O que aconteceu de diferente então?
O contrato celebrado é completamente diferente: em vez de contratar limpar as ruas, o contrato celebrado entre esta senhora e as entidades, foi então que ” as ruas estivessem limpas”. O que fez esta funcionária do departamento de limpeza então? Investiu na educação
“Foi o melhor investimento que fiz”
- “O que fiz foi muito simples, com a ajuda de umas pessoas cá da terra, tratei de arranjar forma de ensinar às pessoas para não sujarem o chão, numa primeira fase, e depois, em varrerem em frente ás suas casas numa fase seguinte. Antes do contrato, eu queria era que as pessoas atirassem lixo para o chão, para eu não perder o meu emprego, mas quando me apercebi que o contrato era seguro, tratei de por em prática o que achava: que educar é o melhor a fazer”.
Esta senhora agora continua a ter esporádicamente que limpar uma coisa ou outra que deixam pessoas fora do concelho, pois nas outras freguesias já conseguiu sensibilizar também para estas práticas e tem corrido tudo muito bem. Neste momento está já a planear uma acção ao nível do conselho.
-”Tal como eu, muitas pessoas se podem reformar e ter tempo para fazer aquilo que gostam!”